Quase 1 em cada 4 mortes por câncer no Brasil está ligada ao tabagismo
Estudo da SBCO revela que 63 mil mortes por câncer em 2025 têm relação com o consumo de tabaco, reforçando riscos do cigarro e dos eletrônicos
Quase uma em cada quatro mortes por câncer no Brasil está associada ao tabagismo, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). Em 2025, cerca de 63.268 óbitos por câncer tiveram relação direta com o consumo de cigarros e outros derivados do tabaco, representando quase 25% do total de 264.845 mortes por câncer registradas no país.
O estudo considerou os 12 tipos de câncer mais fortemente ligados ao tabagismo, incluindo pulmão, cavidade oral, laringe, esôfago, bexiga, pâncreas, fígado, colo do útero, rim, estômago, colorretal e leucemia mieloide aguda. O câncer de pulmão é o mais impactado, com cerca de 90% dos casos associados ao cigarro. Das 31.637 mortes por câncer de pulmão previstas para 2025, aproximadamente 28.473 podem ser atribuídas ao tabagismo.
Outros tumores do trato respiratório e digestivo superior, como os de esôfago e laringe, também apresentam alta associação ao tabaco, com 90% e 96% dos casos relacionados, respectivamente. Mesmo em cânceres com menor percentual de ligação, como colorretal e estômago, o tabagismo é um fator de risco importante, especialmente quando combinado com consumo de álcool, sedentarismo e alimentação rica em ultraprocessados.
Paulo Henrique de Sousa Fernandes, cirurgião oncológico e presidente da SBCO, destaca que o tabagismo permanece um dos principais fatores evitáveis para o câncer. Ele ressalta que o cigarro potencializa os efeitos de outros comportamentos de risco, agravando a doença.
Apesar da redução da prevalência de fumantes no Brasil, que caiu de 34,8% em 1989 para cerca de 9,3% em 2023, os efeitos do tabaco continuam sendo sentidos por décadas devido ao longo intervalo entre exposição e desenvolvimento do câncer.
A indústria do tabaco tem investido em novos produtos, como cigarros eletrônicos e dispositivos saborizados, que são erroneamente vistos como menos nocivos. Estudos indicam que esses dispositivos podem conter níveis de nicotina superiores aos cigarros tradicionais, favorecendo dependência química e causando danos ao sistema respiratório e cardiovascular.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém a proibição da comercialização dos cigarros eletrônicos no Brasil desde 2009. Fernandes alerta que esses dispositivos não são inofensivos e podem funcionar como porta de entrada para o tabagismo convencional, especialmente entre jovens.
O Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, é uma oportunidade para reforçar a importância da prevenção e conscientização sobre os riscos do tabagismo. Parar de fumar é a melhor forma de reduzir o risco de câncer e outras doenças graves, pois não existe consumo seguro de qualquer produto derivado do tabaco.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



