Cafés funcionais: o que a ciência diz sobre seus benefícios
Entenda os efeitos da cafeína e os limites dos ingredientes adicionados
Os chamados “cafés fitness” conquistaram espaço nas redes sociais, academias e na rotina de quem busca mais energia, desempenho físico e até emagrecimento. Com fórmulas que combinam cafeína, óleo de coco, colágeno, proteínas, vitaminas e outros estimulantes, esses produtos são frequentemente apresentados como soluções para foco extremo e alta performance. Mas o que a ciência realmente mostra?
De acordo com Nathália Delvaux, professora de nutrição do IBMR e integrante do Ecossistema Ânima, o principal efeito fisiológico dessas bebidas ainda é resultado da cafeína, substância naturalmente presente no café tradicional e amplamente estudada. Ela destaca que a cafeína tem evidência científica consistente para melhorar o estado de alerta, reduzir a percepção de fadiga, aumentar o desempenho em exercícios de resistência e exercer um pequeno efeito termogênico. No entanto, muitas promessas comerciais exageram os resultados, especialmente no que se refere a emagrecimento acelerado, aumento significativo do metabolismo ou substituição do sono e da alimentação equilibrada.
A especialista ressalta que os ingredientes adicionais presentes nos cafés funcionais possuem evidências limitadas quando combinados na mesma bebida. “Na prática, grande parte do efeito percebido vem da cafeína, não necessariamente dos ingredientes premium adicionados. Revisões científicas indicam que a cafeína pode melhorar o desempenho físico e cognitivo, mas os efeitos sobre emagrecimento dependem do contexto alimentar e do gasto energético total”, afirma.
O café pode ser um aliado para quem pratica atividade física. Para desempenho físico, o consumo é geralmente recomendado entre 30 e 60 minutos antes do exercício. Para foco e energia mental, muitas pessoas se beneficiam do consumo pela manhã ou no início da tarde.
Por outro lado, o consumo excessivo de cafeína merece atenção. Sintomas como ansiedade, tremores, palpitações, insônia, irritabilidade e desconfortos gastrointestinais são sinais comuns de excesso. Em casos mais graves, especialmente quando associado a energéticos ou pré-treinos concentrados, podem ocorrer arritmias e intoxicação. A maioria das diretrizes considera até cerca de 400 mg de cafeína por dia segura para adultos saudáveis, mas a tolerância varia entre indivíduos.
Alguns grupos devem ter cautela redobrada, como gestantes, hipertensos, pessoas com ansiedade, arritmias, insônia e indivíduos sensíveis à cafeína.
Outro ponto importante é a composição nutricional. Enquanto o café tradicional tem poucas calorias e compostos antioxidantes naturais, cafés proteicos e energéticos à base de café podem conter calorias extras, adoçantes, creme vegetal, óleos e açúcar. Não há evidência forte de que esses “super coffees” promovam emagrecimento significativo sozinhos. Eles podem ajudar de forma limitada ao reduzir temporariamente a percepção de fome, mas dependendo da composição, podem até aumentar a ingestão calórica.
Para Nathália Delvaux, o segredo está no básico bem-feito. “Na nutrição, menos marketing e mais comida de verdade costumam ser a melhor estratégia. Antes de investir em produtos fitness com ingredientes difíceis de entender, vale lembrar que um bom café, alimentação equilibrada e hábitos consistentes geralmente entregam mais resultados do que promessas milagrosas em embalagens bonitas.”
Por Nathália Delvaux
Professora de nutrição do IBMR, integrante do Ecossistema Ânima
Artigo de opinião



