Vapes entre jovens: novo risco para câncer e saúde pulmonar

Uso crescente de cigarros eletrônicos entre adolescentes preocupa especialistas com dependência, lesões pulmonares e possível aumento de câncer

O Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, chega em um momento de alerta para a saúde dos jovens brasileiros. Após décadas de queda no tabagismo entre adolescentes, um novo desafio surge: o avanço acelerado do uso de cigarros eletrônicos, ou vapes, que pode reverter conquistas importantes no combate à nicotina.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), do IBGE, indicam que o percentual de estudantes entre 13 e 17 anos que já experimentaram vapes subiu de 16,8% em 2019 para 29,6% em 2024. O consumo recente, nos 30 dias anteriores à pesquisa, cresceu ainda mais, passando de 8,6% para 26,3%. Enquanto o cigarro tradicional perde espaço, os dispositivos eletrônicos ganham popularidade, especialmente entre a geração Z.

O oncologista William Nassib William Jr., especialista em tumores torácicos, destaca que essa mudança preocupa porque os efeitos a longo prazo dos vapes ainda são pouco conhecidos, mas já indicam riscos sérios. Ele alerta que os cigarros eletrônicos podem ser tão ou mais nocivos que o cigarro convencional.

Além do vício, os vapes estão associados a lesões pulmonares graves. Um dos danos mais preocupantes é a bronquiolite obliterante, conhecida como “pulmão de pipoca”, uma doença rara e irreversível que causa inflamação e fibrose nos bronquíolos, dificultando a respiração. Essa condição está ligada a substâncias usadas para aromatizar os líquidos dos vapes, como o diacetil, também responsável por casos em trabalhadores expostos a sabores de pipoca industrializada.

Outra condição grave é a EVALI (lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos), que já causou centenas de casos graves nos Estados Unidos. Muitos jovens acreditam que inalarem apenas vapor de água, mas esses dispositivos liberam milhares de substâncias tóxicas, incluindo metais pesados como níquel, chumbo e zinco, além de compostos potencialmente cancerígenos como formaldeído e acroleína.

A alta concentração de nicotina nos vapes é outro ponto crítico. Um único dispositivo pode conter nicotina equivalente a um maço de cigarros tradicionais. Embora a nicotina não cause câncer diretamente, ela é responsável pela dependência química, que se instala rapidamente devido à formulação com sais de nicotina, que facilitam sua absorção pelo organismo.

Esse consumo precoce pode afetar o cérebro em desenvolvimento, prejudicando atenção, memória e aumentando o risco de ansiedade e depressão. Na prática clínica, já se observa adolescentes usando vapes várias vezes ao dia, inclusive durante a madrugada para aliviar sintomas de abstinência, o que representa um alerta para a saúde pública.

Além disso, estudos recentes indicam que o uso de cigarros eletrônicos pode ser uma porta de entrada para o cigarro convencional. Pesquisas mostram que jovens usuários frequentes de vapes têm até 30 vezes mais chance de começar a fumar cigarros tradicionais. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que o risco de experimentar o cigarro comum é mais que triplicado entre usuários de vapes.

O apelo dos dispositivos é reforçado por sabores doces, embalagens coloridas e design tecnológico, além da forte presença nas redes sociais, tornando-os especialmente atraentes para o público jovem. Apesar da proibição da venda pela Anvisa, 86,3% dos adolescentes consideram fácil conseguir esses produtos, segundo o terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), da Unifesp.

O desafio para a saúde pública é grande: conscientizar uma geração que vinha se afastando do cigarro convencional, mas que agora enfrenta um novo risco, potencialmente mais perigoso, que pode aumentar a incidência de câncer e doenças pulmonares nas próximas décadas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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