Por que o capital de risco ainda ignora mulheres no Brasil?

Startups lideradas por mulheres têm performance 63% superior, mas recebem menos de 3% do investimento global em venture capital.

No universo do capital de risco, a inovação deveria ser o motor que impulsiona o crescimento e a transformação. No entanto, no Brasil, persiste um paradoxo: mulheres continuam sub-representadas e subfinanciadas, mesmo liderando startups com resultados comprovadamente superiores. Dados indicam que empresas fundadas por mulheres apresentam performance 63% superior à média, mas recebem menos de 3% do investimento global em venture capital. Esse cenário permanece praticamente inalterado há 15 anos, com mulheres captando entre 1,7% e 2,7% do capital de risco anual.

Itali Collini, economista e investidora que lidera a Potencia Ventures no Brasil, destaca que o problema não é falta de informação ou pesquisa, mas a concentração histórica de poder e capital em grupos homogêneos que reproduzem vieses inconscientes. Segundo ela, a questão não está na ambição ou competência feminina, mas na falta de diversidade nas mesas decisórias. Investidores majoritariamente homens, com trajetórias semelhantes, tendem a fazer apostas que refletem suas próprias referências, excluindo perspectivas e oportunidades valiosas.

Além disso, a meritocracia no mercado de inovação é uma ilusão quando o ponto de partida não é igual para todos. Enquanto alguns empreendedores podem errar várias vezes com capital abundante até acertar, muitas mulheres têm apenas uma chance para provar seu potencial. Essa desigualdade limita o surgimento de soluções inovadoras que poderiam beneficiar toda a sociedade.

Diversidade, portanto, não é apenas uma questão social, mas uma estratégia inteligente de investimento. Estudos indicam que fundos com maior participação feminina entre os sócios têm investimentos mais bem-sucedidos e saídas mais lucrativas. A diversidade amplia o repertório de ideias, ajuda a identificar riscos e oportunidades que passariam despercebidos em ambientes homogêneos e contribui para a criação de produtos e serviços mais inclusivos.

No entanto, o mercado ainda está na fase da conscientização, quando o necessário é avançar para a responsabilização. Itali Collini defende a urgência de estabelecer metas claras, métricas públicas e compromissos vinculantes para que a equidade deixe de ser um tema periférico e se torne parte estrutural do ecossistema de inovação.

A mudança depende do compromisso real dos fundos de investimento e dos conselhos que os dirigem. É preciso medir o impacto da homogeneidade nas decisões e incorporar critérios de equidade nas teses de investimento. Só assim o capital de risco poderá impulsionar a inovação para todas as pessoas. Até que isso aconteça, o mercado perde dinheiro e oportunidades valiosas, e as mulheres permanecem à margem das grandes decisões. O dia em que esse tema deixar de ser discutido será o dia em que a inovação terá avançado de verdade.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

👁️ 45 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar