A Revolução da Geração Z na Indústria da Moda Internacional
Como a nova geração está transformando passarelas, campanhas e estratégias globais do mercado fashion
À beira de uma reformulação global, a indústria da moda dá os primeiros passos em direção às Gerações Z e Alpha. Dados da Fortune Business Insights indicam que o mercado global de moda voltado à Geração Z movimentou R$ 1,4 trilhão somente no ano passado, influenciando as estratégias de marcas como Nike, Shein, Zara, Gucci e H&M. O setor cresce a uma taxa anual composta (CAGR) de 7,4%, impulsionado pelo interesse da Geração Z em valores sociais e culturais, refletidos em campanhas internacionais.
As mudanças ultrapassam o consumo e impactam fashion weeks, passarelas e publicidades. A Geração Z trouxe representatividade para dentro dos desfiles de maisons como Dior, Schiaparelli, Chanel e Giamb. Modelos brasileiras jovens, como Luma Vitória, Bruna Souza e Josefa Santos, exemplificam essa renovação, aproximando as grandes marcas de um público conectado às redes sociais e à diversidade.
A empresária Mônica Mota, da Model Club Agency, destaca que o mercado internacional exige uma operação estruturada, com planejamento financeiro, análise de perfil e acompanhamento contínuo das modelos. Segundo ela, a preparação inclui avaliação da maturidade emocional, estrutura familiar, adaptação e perfil comercial, pois as carreiras começam cedo e envolvem jovens ainda pouco preparados para o mercado de trabalho.
Para superar esse desafio, as modelos passam por uma rede multidisciplinar que acompanha seu desenvolvimento pessoal e profissional, incluindo estudos de inglês, educação alimentar, controle emocional, disciplina e preparação técnica para fotografia e desfiles nacionais e internacionais.
O mercado também ampliou espaço para perfis mais comerciais, diversificando oportunidades fora do Brasil e abrindo portas para modelos que antes não se encaixavam no padrão fashion tradicional. Contratos em moeda estrangeira tornam o retorno financeiro mais competitivo, especialmente em polos como Londres, Milão, Seul e Xangai.
A transformação estética e cultural impulsionada pela Geração Z mudou a atuação das agências internacionais. Mônica ressalta que as grandes marcas buscam profissionais que representem estilos de vida, posicionamentos e conexões reais com o público jovem. A comunicação, o posicionamento e a compreensão do ambiente são tão importantes quanto a imagem. O domínio do inglês é básico; entender contratos, participar de reuniões, compreender direcionamentos criativos e adaptar-se culturalmente são essenciais para uma carreira sólida no exterior. Essa preparação silenciosa, anterior à passarela, sustenta a permanência das modelos nos grandes mercados.
Por Antonio Anselmo
Artigo de opinião



