Mães atípicas enfrentam sozinhas cuidados de filhos com deficiência
Cerca de 78% das mães de crianças com deficiência ou condições raras cuidam sozinhas no Brasil
Ser mãe já é um desafio intenso, mas para as chamadas mães atípicas — aquelas que cuidam de filhos com deficiência, doenças raras ou condições neurodivergentes — a rotina pode ser ainda mais solitária e exaustiva. No Brasil, cerca de 78% dessas mulheres assumem sozinhas a responsabilidade integral pelos cuidados dos filhos, segundo dados do Muitos Somos Raros, maior plataforma independente dedicada a doenças raras no país.
Esse número revela uma realidade pouco discutida fora das redes de apoio: o abandono paterno. Mais de 5,5 milhões de brasileiros não têm o nome do pai na certidão de nascimento, e em 2020, mais de 80 mil crianças foram registradas apenas com o nome da mãe, segundo levantamento da USP e dados oficiais do registro civil.
Para as mães atípicas, essa ausência pesa ainda mais, pois elas enfrentam sozinhas não só o cuidado diário, mas também as dificuldades financeiras e a falta de uma rede de suporte.
O peso da maternidade atípica
Cuidar de uma criança com necessidades especiais exige dedicação constante: terapias, consultas médicas, acompanhamento escolar e adaptações diárias. Muitas dessas mães acabam deixando o mercado de trabalho para se dedicar integralmente aos filhos, o que agrava a situação financeira e aumenta a sensação de isolamento.
Além do desgaste físico, o impacto emocional é profundo. A ausência do pai e a falta de apoio social podem levar ao isolamento, à exaustão e até ao adoecimento mental. Natália Lopes Rodrigues, do Voz das Mães, parceira do Muitos Somos Raros, destaca que muitas mães atípicas vivem um isolamento profundo, deixando de sair, de se cuidar e perdendo vínculos sociais para se dedicar exclusivamente à rotina dos cuidados.
Além do romantismo: a necessidade de apoio real
O Mês das Mães costuma reforçar imagens idealizadas da maternidade, mas pouco se fala sobre as dificuldades enfrentadas por essas mulheres. Regiane Monteiro, diretora do Muitos Somos Raros, ressalta que existe uma sobrecarga histórica que recai majoritariamente sobre as mães, especialmente quando se trata de deficiência, doenças raras e neurodivergências. Ela enfatiza que essas mulheres precisam de suporte, rede de apoio e acolhimento contínuo, e não apenas da ideia romantizada de força.
O abandono paterno não afeta apenas o emocional, mas também o acesso ao tratamento e a continuidade das terapias, essenciais para o desenvolvimento das crianças.
O que pode mudar?
Ampliar o debate sobre maternidade atípica é fundamental para que políticas públicas sejam criadas ou aprimoradas, garantindo suporte financeiro, psicológico e social para essas mães. Além disso, é importante que a sociedade compreenda a complexidade dessa realidade, oferecendo acolhimento e respeito.
A maternidade atípica é uma jornada de amor, mas também de desafios invisíveis que merecem ser vistos e enfrentados com empatia e ação concreta.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



