Masturbação feminina: como o autocuidado virou ato de liberdade

Entenda a transformação do tabu ao protagonismo feminino no prazer e o impacto do autoconhecimento em todas as idades

A masturbação feminina, tema ainda cercado de tabus, vem ganhando um novo significado: o do autocuidado e da liberdade. Essa transformação é o foco do livro “A Vida Secreta da Siririca”, da ilustradora paulistana Karymy Gonçalves, que mergulhou em sua própria história para falar sobre um assunto que por muito tempo ficou escondido — ou silenciado.

Karymy lembra que a primeira vez que ouviu a palavra “siririca” foi aos 11 anos, numa piada de menino na escola. A resposta da mãe foi um “não é nada demais”, e o assunto morreu ali. Mas a curiosidade permaneceu, e anos depois, durante a pandemia, ela transformou essa inquietação em um livro que convida as mulheres a falarem abertamente sobre o prazer que sempre existiu, mas raramente foi discutido em voz alta.

Esse silêncio, segundo Karymy, teve uma função histórica: controlar o prazer feminino era controlar a liberdade das mulheres. “Muitas casavam cedo, tinham filhos sem nunca ter tido um orgasmo”, lembra. A sexualidade feminina foi medicalizada e reprimida por séculos, e a anatomia do clitóris só foi detalhadamente estudada no fim dos anos 1990.

Mas o cenário começou a mudar com a revolução sexual e os movimentos feministas do século XX, que reposicionaram o prazer feminino como parte essencial do bem-estar e da autonomia. Em 1995, a demissão da médica Joycelyn Elders, que defendia a inclusão da masturbação na educação sexual, marcou simbolicamente o mês de maio como o mês da masturbação — um convite para quebrar tabus.

Curiosamente, ao lançar seu livro, Karymy percebeu que as mulheres mais jovens ainda sentiam vergonha de se apropriar do tema, enquanto mulheres na faixa dos 45 a 50 anos, muitas em processos de divórcio e redescoberta, se mostraram mais abertas e entusiasmadas. “Muitas ainda não se permitem”, observa a autora, destacando que o autoconhecimento é um caminho que acontece em ritmos diferentes para cada geração.

Hoje, a masturbação é vista por muitas mulheres jovens como uma prática de autocuidado, parte da rotina para se conectar consigo mesmas. Já as gerações anteriores buscam recuperar o tempo perdido, explorando o prazer e a sexualidade com mais liberdade.

Outro ponto importante é a forma como as mulheres se conectam com o desejo. Karymy destaca que o estímulo visual tradicional, muitas vezes voltado para o público masculino, não é o principal caminho para a maioria das mulheres. Ela mesma prefere a leitura de contos eróticos, que despertam a criatividade e permitem uma liberdade íntima e sem julgamentos.

Essa preferência também aparece em plataformas como o Sexlog, onde narrativas, áudios e podcasts ganham destaque entre o público feminino.

Sobre a culpa que ainda ronda a masturbação, Karymy é enfática: “A gente é ensinada que qualquer coisa diferente que a gente faz é errado. Mas vai com culpa mesmo. Depois você vai lidar com essa culpa. Não deixe de viver porque acha que vai se culpar depois.”

Para ela, tocar-se é um ato de liberdade e um momento de egoísmo saudável, onde o prazer é só seu, sem a necessidade de agradar ninguém.

Essa conversa sobre prazer, autocuidado e liberdade é um convite para que cada mulher se permita descobrir e celebrar seu corpo, rompendo com o silêncio que por tanto tempo limitou sua autonomia.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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