IA identifica câncer de pâncreas até três anos antes do diagnóstico
Estudo da Mayo Clinic mostra que inteligência artificial detecta sinais precoces do câncer pancreático em tomografias de rotina
Um modelo de inteligência artificial (IA) desenvolvido pela Mayo Clinic pode identificar sinais sutis do câncer de pâncreas em tomografias computadorizadas de rotina até três anos antes do diagnóstico tradicional. Publicado na revista médica Gut, o estudo demonstra que a IA reconhece alterações em exames inicialmente interpretados como normais por especialistas.
O sistema, chamado Radiomics-based Early Detection Model (REDMOD), analisou quase 2 mil tomografias, incluindo as de pacientes que foram diagnosticados posteriormente com câncer pancreático. O modelo identificou 73% dos casos em fase pré-diagnóstica, com tempo mediano de cerca de 16 meses antes do diagnóstico oficial, quase o dobro da taxa de detecção humana sem auxílio da IA. Em exames realizados mais de dois anos antes do diagnóstico, a IA detectou quase três vezes mais casos precoces que passariam despercebidos.
O câncer de pâncreas é altamente letal, pois raramente apresenta sinais detectáveis nos estágios iniciais. Mais de 85% dos pacientes são diagnosticados após a doença ter se espalhado, e as taxas de sobrevida em cinco anos permanecem abaixo de 15%. A previsão é que, até 2030, o câncer pancreático será a segunda principal causa de morte por câncer nos Estados Unidos.
O REDMOD mede centenas de características quantitativas das imagens, como textura e estrutura do tecido, para identificar alterações biológicas indicativas do início do câncer. O modelo foi projetado para analisar tomografias feitas por outros motivos, especialmente em pacientes com risco elevado, como aqueles com diabetes de início recente. A operação é automática, sem necessidade de preparação manual dos exames.
O modelo foi validado em tomografias realizadas em várias instituições, sistemas de imagem e protocolos, mostrando desempenho consistente e estabilidade ao longo do tempo. Em pacientes com múltiplos exames, a IA produziu resultados estáveis, reforçando seu potencial para monitoramento longitudinal e detecção precoce.
Atualmente, a equipe da Mayo Clinic conduz um estudo clínico prospectivo chamado AI-PACED, que avalia como integrar a detecção orientada por IA no atendimento de pacientes com risco elevado. O estudo combina análise de IA com acompanhamento clínico para melhorar a detecção precoce, reduzir falsos positivos e aprimorar os desfechos clínicos.
Esta pesquisa faz parte da iniciativa Precure da Mayo Clinic, que busca prever e prevenir doenças identificando alterações biológicas antes do surgimento dos sintomas. O estudo recebeu apoio do National Institutes of Health, da Mayo Clinic Comprehensive Cancer Center e de outras instituições.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



