Líderes tecnicamente fortes tomam decisões piores sob pressão
Estado fisiológico e emocional das lideranças impacta qualidade das decisões, segundo neurociência
Avanços recentes da neurociência indicam que líderes tecnicamente fortes podem tomar decisões piores quando submetidos a pressão intensa, devido à influência direta do estado fisiológico e emocional sobre a qualidade das decisões e a execução nas empresas. Mesmo em organizações com processos maduros e uso intensivo de dados, a pressão pode comprometer a performance das lideranças.
No Brasil, dados da Previdência Social apontam que, em 2025, houve mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, como ansiedade, depressão e burnout, um aumento superior a 15% em relação ao ano anterior. Esse cenário impacta negativamente o clima organizacional, a produtividade e a estabilidade das equipes, refletindo diretamente na dinâmica das lideranças.
Vanessa Queiroz, psicóloga, psicanalista e especialista em neurociência aplicada ao comportamento e à liderança, destaca que muitas empresas ainda focam em processos para resolver problemas de execução, ignorando que a forma como os líderes operam sob pressão é um fator central.
Ela explica que a neurociência da interocepção mostra como o cérebro integra sinais internos do corpo — como os provenientes do sistema gastrointestinal e cardiovascular — para construir emoções e decisões. Por exemplo, o nervo vago conecta o intestino ao cérebro, transmitindo informações sobre o estado fisiológico, enquanto a variabilidade da frequência cardíaca indica a capacidade de regulação emocional.
Quando o sistema nervoso está em alerta constante, o cérebro prioriza respostas rápidas, reduzindo a capacidade de avaliação detalhada, o que prejudica a qualidade das decisões, especialmente em contextos complexos.
Esse fenômeno explica por que líderes altamente competentes podem apresentar inconsistência decisória, comunicação reativa e dificuldade em manter uma direção clara sob pressão.
Um caso em uma empresa do setor de serviços revelou que, apesar de processos bem definidos, havia aumento de retrabalho e conflitos internos. A análise aprofundada identificou que a liderança sofria com mudanças constantes de prioridade e comunicação impulsiva. Após um programa focado no desenvolvimento da regulação emocional, clareza decisória e estabilidade comportamental, a empresa observou melhora significativa na execução, redução de conflitos e maior alinhamento entre áreas.
Vanessa ressalta que não basta ter um bom plano; é fundamental que os líderes consigam sustentar esse plano sem se desorganizar internamente.
Além disso, muitas organizações promovem profissionais com base apenas na competência técnica, sem avaliar a capacidade de lidar com pressão e gerenciar o impacto emocional sobre as equipes. Esse modelo pode funcionar no curto prazo, mas gera desgaste e perda de eficiência ao longo do tempo.
A especialista prevê que o desenvolvimento de lideranças precisará incorporar a regulação do estado interno, a clareza e a consistência em ambientes de alta exigência. Em um cenário de crescente complexidade organizacional, a vantagem competitiva pode depender não só da estratégia, mas da forma como ela é conduzida no dia a dia pelas lideranças.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



