Cirurgias de ovário no SUS crescem 46% após queda na pandemia
Procedimentos relacionados ao ovário no SUS passaram de 22,6 mil em 2020 para 33,1 mil em 2024, maior volume da série histórica analisada
As cirurgias relacionadas ao ovário realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cresceram 46,3% entre 2020 e 2024, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) com dados do SIH/DATASUS. Os procedimentos passaram de 22.645 em 2020 para 33.135 em 2024, atingindo o maior volume da série histórica analisada.
Esse aumento ocorre após uma queda significativa registrada no início da pandemia de Covid-19, quando o número de cirurgias relacionadas ao ovário caiu de 30.415 em 2019 para 22.645 em 2020. Houve recuperação gradual nos anos seguintes: 23.708 procedimentos em 2021, 28.409 em 2022, 30.956 em 2023, até o pico atual.
Os dados incluem cirurgias como ooforectomias, laparotomias para avaliação de tumores ovarianos, laparotomias exploradoras oncológicas e cirurgias videolaparoscópicas relacionadas ao ovário.
A SBCO destaca que esse crescimento reflete o represamento assistencial provocado pela pandemia e a retomada do cuidado especializado. O cirurgião oncológico Juliano Rodrigues da Cunha, diretor de Comunicação da SBCO, explica que o aumento não indica necessariamente maior incidência de câncer de ovário, mas sim a recuperação do fluxo assistencial após o adiamento de consultas, exames e cirurgias durante a pandemia. Ele reforça a importância da investigação precoce de sintomas ginecológicos persistentes, que muitas vezes são inespecíficos e negligenciados.
O câncer de ovário é um dos tumores ginecológicos mais difíceis de diagnosticar precocemente, pois seus sintomas iniciais costumam ser vagos e confundidos com problemas gastrointestinais ou alterações benignas. Entre os sinais que merecem atenção estão distensão abdominal persistente, aumento do volume abdominal, dor pélvica, alteração intestinal recente, sensação frequente de empachamento e perda de peso sem causa aparente.
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para 8.020 novos casos de câncer de ovário no Brasil em 2026, tornando-o o terceiro câncer ginecológico mais frequente no país. Anualmente, mais de 4 mil mulheres morrem em decorrência da doença, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura. Dados do Surveillance, Epidemiology and End Results Program (SEER), do National Cancer Institute dos Estados Unidos, indicam que, quando o câncer está localizado nos ovários, a sobrevida em cinco anos pode chegar a 91,9%. No entanto, a maioria dos casos é descoberta em estágios avançados, o que dificulta o tratamento curativo.
Juliano Rodrigues da Cunha destaca que o acesso rápido ao ginecologista, exames de imagem e centros especializados é essencial para reduzir atrasos no diagnóstico e melhorar os resultados clínicos. O Maio Azul, mês de conscientização sobre o câncer de ovário, é uma oportunidade para reforçar a importância de valorizar sintomas persistentes e buscar atendimento médico adequado.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



