Apenas 29% dos brasileiros identificam deepfakes em vídeos
Pesquisa mostra alta exposição a deepfakes no Brasil e baixa capacidade de identificação
Um estudo realizado pela Veriff em parceria com a Kantar mostrou que apenas 29% dos brasileiros conseguem identificar corretamente vídeos manipulados por inteligência artificial, conhecidos como deepfakes. Apesar de 80% dos usuários de internet no país afirmarem já ter se deparado com esse tipo de conteúdo, a capacidade real de distinguir vídeos autênticos dos falsificados é baixa, próxima do acaso.
A pesquisa, realizada em fevereiro de 2026 com mil participantes representativos por idade, gênero e região, avaliou a percepção e o comportamento dos brasileiros diante de conteúdos digitais manipulados. Além de perguntas, os entrevistados passaram por um teste prático com 16 imagens e vídeos, reais e manipulados, apresentados em ordem aleatória.
Os resultados mostram que, embora metade dos usuários acredite conseguir identificar deepfakes, essa confiança não se confirma na prática. Apenas 29% reconheceram corretamente um vídeo manipulado, e 35% identificaram um vídeo real como autêntico. Em imagens, especialmente aquelas geradas por IA ou com faceswap, o padrão de erro foi semelhante.
Os critérios usados para tentar detectar fraudes são basicamente visuais e pouco sofisticados. Os sinais mais citados incluem aparência artificial da pele (64%), movimentos ou expressões estranhas (63%) e detalhes inconsistentes em cabelo, dentes e olhos (57%). Outros aspectos mencionados foram cenários incoerentes (50%) e iluminação ou sombras pouco naturais (49%). Cerca de 34% dos entrevistados afirmaram usar a intuição para avaliar a autenticidade, enquanto uma parcela pequena não observa nenhum aspecto específico.
O estudo também destaca que o Brasil é o país com maior exposição a deepfakes entre os pesquisados, superando Estados Unidos e Reino Unido, e que 59% dos brasileiros já criaram imagens ou vídeos com uso de IA, índice superior aos outros países. No entanto, essa experiência prática melhora a precisão na identificação apenas marginalmente.
A preocupação com os riscos associados aos deepfakes é alta: 87% dos entrevistados manifestam receio de fraudes e golpes de identidade, 82% temem a perda de confiança nas interações digitais e 81% se preocupam com a disseminação de desinformação política. Ao mesmo tempo, há ceticismo quanto à capacidade das plataformas digitais de detectar conteúdos manipulados, o que reforça a sensação de vulnerabilidade.
Especialistas apontam que o olho humano não é mais suficiente para garantir a segurança digital. A combinação de supervisão humana com tecnologias automatizadas de verificação, capazes de detectar padrões biométricos e microvariações imperceptíveis, é vista como a estratégia mais eficaz para manter a confiança nas interações online.
A pesquisa reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre deepfakes e investir em ferramentas que ajudem a identificar conteúdos falsos, especialmente para proteger usuários e empresas dos impactos negativos das fraudes digitais.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



