Celular na adolescência: mediação ativa e detox digital protegem jovens

Proibir o uso do celular não funciona; estratégias reais ajudam a preservar saúde mental e segurança

Pesquisas recentes indicam que o aumento intenso do uso de celulares entre jovens está associado à queda no desempenho escolar e ao crescimento de relatos de solidão. No Brasil, a internet faz parte da rotina de 92% da população de 9 a 17 anos, segundo o estudo TIC Kids Online 2025. A exposição diária e muitas vezes sem filtros torna os adolescentes vulneráveis a abusos, pressões digitais e danos à formação da identidade.

Leonardo Pestillo de Oliveira, doutor em Psicologia e professor do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da UniCesumar, afirma que proibir totalmente o uso de telas é quase impossível, pois a internet é essencial para educação e socialização. Quando os pais tentam proibir o acesso, a relação se desgasta, e os adolescentes passam a usar a rede sem supervisão.

Muitos responsáveis recorrem ao bloqueio do acesso, mas dados e análises comportamentais indicam que essa estratégia é obsoleta. Em vez disso, é necessário estabelecer estratégias para dosar o uso e garantir a segurança.

Oliveira explica que a superexposição em redes sociais afeta a saúde mental, pois as plataformas oferecem recompensas neurológicas imprevisíveis a um cérebro adolescente ainda imaturo para controlar impulsos. Os adolescentes são expostos a conteúdos irrealistas que afetam identidade e autoestima, e a ausência de validação imediata pode ser interpretada como rejeição social.

Além disso, o ambiente digital expõe os jovens a riscos como cyberbullying e aliciamento digital, e o compartilhamento impulsivo de conteúdos aumenta o risco de chantagens e vazamentos de imagens íntimas.

Para proteger os adolescentes, os responsáveis devem estar presentes no mundo virtual, implementando ferramentas de controle e mantendo o diálogo. Estratégias como limites de tempo de uso e filtros de classificação etária devem fazer parte da rotina familiar.

Segundo o psicólogo, essas ferramentas apoiam a mediação, cujo objetivo é preparar os adolescentes para autorregulação e maturidade digital, com transparência sobre o uso das tecnologias.

O “detox digital” programado é uma ação corretiva que reduz a hiperestimulação, promovendo pausas não punitivas que ajudam na recuperação da atenção e melhoram a saúde mental, reduzindo sintomas de ansiedade causados pela necessidade constante de checar as telas.

A base para a eficácia dessas medidas é a construção de confiança por meio da mediação ativa. Os pais devem participar, perguntar sobre os jogos e formas de comunicação dos filhos, aprender sobre seu universo, ensinar sobre os conteúdos consumidos e explicar os riscos reais. A comunicação positiva e constante é mais eficiente do que punições imediatas.

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Por Leonardo Pestillo de Oliveira

Doutor em Psicologia, professor do Programa de Pós-Graduação em Promoção da Saúde da UniCesumar de Maringá (PR)

Artigo de opinião

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