Burnout feminino no Brasil tem origem em padrões familiares
Mulheres representam 60% dos casos de burnout, aponta terapeuta sistêmica
O Brasil enfrenta uma crise silenciosa de saúde mental no trabalho, com 472 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024, um aumento de 67% em relação ao ano anterior. Ansiedade, depressão e síndrome de burnout estão entre as principais causas desses afastamentos. As mulheres representam cerca de 60% dos diagnósticos de síndrome de burnout no país.
Para a terapeuta sistêmica Cida Eliz, especialista em dinâmicas familiares, esses números indicam o sintoma, mas não a causa do esgotamento. Segundo ela, o esgotamento feminino frequentemente tem origem no sistema familiar, antes mesmo do ambiente profissional.
A terapia sistêmica aponta que padrões emocionais herdados de gerações anteriores, como lealdades invisíveis, crenças sobre merecimento e medos relacionados ao sucesso, atuam silenciosamente na vida adulta e profissional, ampliando o esgotamento mesmo em mulheres com reconhecimento e sucesso financeiro.
Cida Eliz relata que muitas mulheres atendidas apresentam dificuldade para delegar tarefas, sentem culpa por ocupar espaço e têm medo do preço do sucesso, comportamentos que têm raízes familiares e contribuem para a sobrecarga emocional.
Além da “jornada tripla” — trabalho formal, tarefas domésticas e cuidado com dependentes —, a terapeuta destaca uma quarta jornada invisível: a jornada emocional, que consiste em carregar histórias e emoções herdadas do sistema familiar, gerando um peso acumulado não reconhecido nas pesquisas.
No empreendedorismo feminino, esse fenômeno se intensifica, pois as mulheres carregam junto com seus negócios crenças limitantes herdadas do sistema familiar.
Entre gestores e profissionais de RH, 48% acreditam que pelo menos 10% dos colaboradores convivem com transtornos mentais não diagnosticados, indicando subnotificação e falta de um olhar mais profundo sobre as causas do burnout.
Para Cida, a pergunta fundamental ao atender mulheres com burnout não é o que aconteceu no trabalho, mas o que foi aprendido sobre trabalho, merecimento e descanso dentro da família. A resposta para o esgotamento está além das metas e planilhas.
Interromper esse ciclo é um processo que ultrapassa o indivíduo. Quando uma mulher se cura dos padrões que a esgotam, ela transforma o legado emocional que será transmitido às próximas gerações, o que Cida chama de “soberania real”, que vai além do sucesso profissional e impacta a identidade e o equilíbrio emocional.
Cida Eliz atua no acompanhamento de mulheres líderes e empresárias, auxiliando na resolução de conflitos sistêmicos, quebra de padrões repetitivos e construção de uma identidade soberana, pessoal e profissional.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



