Diagnósticos de autismo crescem quase 50% e avançam para adultos no Brasil
Levantamento revela aumento nos diagnósticos de TEA em crianças, jovens e adultos, com maior complexidade no tratamento ao longo da vida
Um levantamento inédito realizado pela Memed, em parceria com a NeuroSteps, aponta um crescimento de quase 50% no número médio de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas por médico no Brasil entre 2022 e 2025. A densidade diagnóstica, que indica quantos pacientes com TEA cada profissional acompanha por ano, subiu de 9,08 para 13,61, evidenciando maior busca por avaliação e pressão crescente sobre a rede assistencial.
Diagnósticos avançam para idade escolar e vida adulta
Embora a infância ainda concentre a maioria dos diagnósticos, o estudo revela uma mudança no perfil etário. A faixa de 6 a 12 anos passou a liderar os diagnósticos, superando a primeira infância (0 a 5 anos), cuja participação caiu de 42,17% para 30,13%. Além disso, o diagnóstico em adultos também aumentou: pessoas entre 20 e 39 anos representam 17,88% dos casos, e o grupo acima de 40 anos praticamente dobrou sua participação, chegando a 6,73%.
Segundo o psicólogo e PhD em Neurociências Hiago Melo, diretor técnico científico da NeuroSteps, esse avanço não indica que o autismo surge mais tarde, mas que muitos casos não são identificados no momento ideal. “Os sinais do TEA estão presentes desde a primeira infância, mas podem passar despercebidos, especialmente em quadros mais leves, tornando-se mais evidentes com o aumento das demandas sociais e acadêmicas”, explica.
Diferenças entre homens e mulheres nos diagnósticos
Na infância, o padrão tradicional se mantém, com maior prevalência entre meninos, especialmente na faixa de 6 a 12 anos. No entanto, na vida adulta, a tendência se inverte: em 2025, mulheres entre 20 e 39 anos passaram a representar uma parcela maior dos diagnósticos do que homens da mesma faixa etária. Essa inversão também ocorre entre pessoas com mais de 40 anos.
Tratamento mais complexo e uso crescente de medicamentos
O estudo destaca o aumento na complexidade do cuidado com o TEA. Houve crescimento expressivo na prescrição de medicamentos para manejo de comorbidades, como ansiedade, TDAH e distúrbios do sono. Entre as dez principais substâncias prescritas, a atomoxetina teve aumento superior a 170% entre 2024 e 2025, refletindo o reconhecimento do TDAH como condição frequentemente associada ao autismo.
Hiago Melo ressalta que o tratamento central do autismo continua baseado em intervenções comportamentais e educacionais, e o aumento das prescrições está relacionado principalmente ao manejo das comorbidades.
Desafios para o cuidado ao longo da vida
Os dados indicam que o acompanhamento do TEA se torna mais exigente com o passar dos anos. Adultos jovens podem demandar quase o dobro de prescrições em comparação a crianças, evidenciando a complexidade clínica e as necessidades terapêuticas individuais. Isso reforça que o autismo não é uma condição restrita à infância, mas um quadro que exige acompanhamento contínuo e uma rede de cuidado estruturada para todas as fases da vida.
Para o diretor médico da Memed, Fábio Tabalipa, esses dados mostram uma transformação em curso no Brasil, com uma rede médica sob pressão crescente, diagnósticos migrando para novas idades e um arsenal farmacológico mais sofisticado.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



