Menopausa afeta sono, trabalho e saúde mental, mas traz clareza e criatividade
Sintomas impactam desempenho profissional e emocional, mas fase pode ser de reorganização psíquica
A menopausa é uma fase da vida feminina marcada por sintomas físicos e emocionais que impactam diretamente o sono, o trabalho e a saúde mental. Dados da The Menopause Society indicam que até 80% das mulheres enfrentam sintomas como ondas de calor, alterações no sono e oscilações de humor durante a transição menopausal. No Brasil, onde as mulheres são maioria na população acima dos 50 anos, o tema ainda é pouco discutido em ambientes profissionais e sociais.
Uma pesquisa da Harvard Business School revelou que mais de 60% das mulheres relatam que esses sintomas afetam seu desempenho no trabalho. Muitas evitam falar sobre o assunto por medo de julgamento, o que contribui para o silêncio e a sobrecarga emocional.
A psicanalista Camila Camar explica que “existe um descompasso claro. O corpo muda, mas as exigências continuam as mesmas”, o que gera uma pressão para manter produtividade e estabilidade emocional mesmo diante das mudanças biológicas.
Entre os sintomas mais comuns está a alteração no sono. A queda gradual da progesterona, hormônio que ajuda a regular o sono, provoca um descanso fragmentado e leve, com frequentes despertares noturnos. Muitas mulheres acordam cansadas e interpretam essa dificuldade para dormir como ansiedade ou fragilidade emocional, sem reconhecer o componente biológico envolvido.
Para Camila, compreender essa base neuro-hormonal traz alívio e ajuda a mulher a se escutar com mais cuidado, reduzindo a culpa.
Além dos sintomas físicos, a menopausa pode ser um período de reorganização psíquica e emocional. Muitas mulheres começam a revisar suas prioridades, questionando o que ainda faz sentido sustentar e o que pode ser deixado para trás. Essa fase costuma coincidir com uma mudança na relação com o tempo, o desejo e os investimentos emocionais, levando a escolhas mais conscientes e alinhadas com o que realmente importa.
Esse processo também pode estar associado a um “pico criativo tardio”, quando a maturidade traz maior capacidade de integrar experiências, produzir intelectualmente e tomar decisões. A psicanálise chama essa fase de generatividade, que envolve criar e transmitir algo significativo, seja em projetos, ideias ou legado.
Apesar do potencial transformador, a menopausa ainda é pouco nomeada e acolhida, especialmente no ambiente de trabalho. Camila alerta que o silêncio faz com que muitas mulheres atravessem essa fase sozinhas, sentindo-se em falha, o que não é verdade.
Ela destaca que a menopausa exige tempo, elaboração e uma escuta honesta de si mesma, pois as respostas passam a vir de dentro e não do ambiente externo.
Para além dos sintomas, a menopausa pode ser o início de um encontro verdadeiro consigo mesma, uma fase de reconstrução interna que permite escolhas mais autênticas e sustentáveis emocionalmente. “Não é uma fase fácil. Mas pode ser uma fase de um encontro muito verdadeiro consigo mesma. E, para muitas mulheres, é justamente aí que algo mais próprio pode começar”, conclui a especialista.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



