Maternidade e TDAH: desafios e descobertas para mulheres mães

O diagnóstico tardio do TDAH em mulheres após a maternidade revela dificuldades e caminhos para uma vida mais equilibrada

A maternidade pode ser o momento em que muitas mulheres descobrem que vivem com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Segundo o neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no tratamento de adultos com TDAH, a chegada dos filhos expõe dificuldades de organização e regulação emocional que antes não eram tão evidentes. Essa sobrecarga mental e de rotina pode ser avassaladora para mães com TDAH não diagnosticado, comparada a “tentar gerenciar uma orquestra sem a partitura”.

Desafios invisíveis da rotina materna
A vida de mãe exige planejamento constante, memória ativa e controle dos impulsos, funções executivas que costumam ser afetadas no TDAH. Organizar a casa, lembrar compromissos escolares, cuidar da alimentação e ainda reservar tempo para si mesma são tarefas que podem se tornar montanhas difíceis de escalar. Cerca de 44% dos adultos com TDAH apresentam déficits significativos nessas funções, o que impacta diretamente a gestão doméstica e o cuidado com os filhos.

O diagnóstico tardio e o TDAH feminino
Historicamente, o TDAH foi mais associado a meninos hiperativos, mas em mulheres o transtorno se manifesta de forma diferente, com sintomas mais ligados à desatenção, como dificuldade em organizar tarefas e esquecimento. Além disso, muitas mulheres desenvolvem estratégias de camuflagem social, o chamado masking, que dificulta o reconhecimento do transtorno e atrasa o diagnóstico. Essa situação está relacionada a maior insatisfação com a vida e aumento de sintomas depressivos.

O diagnóstico em cascata: mãe e filho
A hereditariedade do TDAH é alta, entre 74% e 80%. Quando uma criança é diagnosticada, a chance de a mãe também ter o transtorno é elevada, sendo 8,4 vezes maior do que no pai. Muitas mulheres só se descobrem com TDAH ao observarem os mesmos padrões nos filhos, geralmente entre 2 e 5 anos após o nascimento. Esse “diagnóstico em cascata” traz alívio e explicações para dificuldades enfrentadas por anos, possibilitando uma mudança da autocrítica para a autocompaixão.

Estratégias para uma maternidade mais equilibrada
O tratamento do TDAH na mãe beneficia toda a família, melhorando o gerenciamento do estresse e a organização da rotina. Algumas recomendações incluem criar rotinas previsíveis, usar ferramentas visuais como agendas e listas, delegar tarefas e buscar apoio familiar ou profissional. Também é importante identificar gatilhos sensoriais e criar espaços de calma. O tratamento multimodal, com terapia e medicação, é eficaz para controlar sintomas. Por fim, a autocompaixão é fundamental para que a mãe reconheça suas dificuldades como parte do transtorno, não como falhas pessoais.

Dr. Matheus Trilico destaca que entender o funcionamento do TDAH permite que a mãe se liberte da culpa e encontre seu ritmo, tornando-se mais presente e feliz para os filhos. A rede de apoio deve estar atenta a sinais de sobrecarga para oferecer suporte e evitar o esgotamento materno.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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