Anvisa aprova dose de 7,2 mg do Wegovy para obesidade

Dose ampliada traz perda de peso significativa e melhora na composição corporal

A Anvisa aprovou a dose de até 7,2 mg de semaglutida, princípio ativo do Wegovy, para o tratamento da obesidade no Brasil, direcionada a adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m². A decisão segue a aprovação prévia do FDA, baseada nos resultados do estudo clínico STEP UP, que indicaram redução média de peso superior a 20%, com benefícios sustentados a longo prazo e perfil de segurança semelhante às doses já utilizadas.

Um em cada três pacientes atingiu perda de peso igual ou superior a 25%. A tolerabilidade da dose mais alta foi avaliada, e não houve aumento significativo de efeitos colaterais, especialmente em pacientes que já toleravam a dose de 2,4 mg.

Além da magnitude da perda de peso, a qualidade dessa perda é destacada: aproximadamente 84,4% do peso perdido corresponde à redução de tecido adiposo, enquanto cerca de 15,6% está relacionado à massa magra. Essa proporção é mais favorável do que a tradicionalmente observada em processos de emagrecimento, que geralmente apresentam perda de 75% de gordura e 25% de massa muscular. A melhora da composição corporal inclui benefícios cardiovasculares, preservação da força muscular e melhora da mobilidade.

No Brasil, a dose de 7,2 mg é administrada por meio de três injeções consecutivas de 2,4 mg, por via subcutânea, e só pode ser iniciada após pelo menos quatro semanas na dose anterior. A dose é indicada para pacientes que não obtiveram resposta adequada com 2,4 mg semanais. Pacientes com sobrepeso, mesmo com comorbidades, não devem utilizar a dose mais elevada devido à ausência de dados clínicos específicos. Caso não haja benefício adicional ou ocorram efeitos adversos relevantes, recomenda-se o retorno à dose de 2,4 mg.

Os estudos STEP UP e STEP UP T2D, que embasaram a decisão regulatória, mostraram perda de peso adicional em parte dos pacientes, embora o benefício incremental seja limitado para a maioria. O perfil de segurança permanece semelhante ao da classe dos agonistas de GLP-1, com predominância de efeitos gastrointestinais. A Anvisa destacou aumento na incidência de disestesia (alterações de sensibilidade na pele) com a dose mais alta, reforçando a necessidade de acompanhamento médico rigoroso e monitoramento contínuo.

Mais do que ampliar doses, a aprovação reforça uma mudança de paradigma no manejo da obesidade, incorporando métricas como composição corporal, função muscular e risco cardiometabólico, indicadores associados à qualidade e expectativa de vida.

A

Por Alessandra Rascovski

endocrinologista, diretora médica da Atma Soma, autora do livro "Atmasoma: o equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor"

Artigo de opinião

👁️ 69 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar