Pesquisa investiga como pais orientam filhos sobre a mentira
Estudo da UFSCar analisa atitudes parentais diante de diferentes tipos de mentira e diferenças culturais no Brasil
Um estudo conduzido pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) investiga como pais brasileiros orientam seus filhos em relação à mentira, considerando diferentes tipos de falsidade e influências culturais. A pesquisa, realizada no âmbito da Psicologia, convida mães e pais a responderem um questionário online para entender as atitudes parentais diante desse comportamento comum na infância.
A pesquisa é coordenada pela estudante de Psicologia Leticia Amanda Rodrigues, que destaca a importância de distinguir entre mentiras antissociais e pró-sociais. As mentiras antissociais são aquelas que visam benefício próprio ou evitar punições, como negar ter quebrado um objeto para não ser castigado. Já as mentiras pró-sociais têm a intenção de proteger sentimentos ou manter relações sociais, como elogiar um presente mesmo sem gostar, por educação.
Estudos transculturais indicam que crianças de sociedades coletivistas tendem a avaliar as mentiras pró-sociais de forma mais positiva do que crianças de sociedades individualistas, como os Estados Unidos. No entanto, o Brasil apresenta características culturais próprias, não sendo facilmente classificado em um desses grupos, valorizando fortemente as relações interpessoais e a preservação dos sentimentos alheios.
Além das diferenças culturais, os estilos parentais também influenciam o julgamento e o comportamento das crianças em relação à mentira. A pesquisa busca compreender como essas variáveis se manifestam no contexto brasileiro, onde a dinâmica familiar e social pode apresentar particularidades.
O interesse pelo tema está relacionado ao fato de que o comportamento de mentir é amplamente estudado na Psicologia do Desenvolvimento, por sua ligação com o desenvolvimento moral e marcos cognitivos importantes na infância. Entre esses marcos, destaca-se a Teoria da Mente, que é a capacidade da criança de compreender os estados mentais de outras pessoas, e as funções executivas, como o controle inibitório, que permite controlar o impulso de dizer a verdade e regular emoções ao sustentar uma informação falsa.
O trabalho, intitulado “Quando mentir é aceitável? Atitudes parentais sobre o comportamento de mentir em crianças”, está vinculado ao Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Sociocognitivo e da Linguagem (GPDeSOL) da UFSCar, sob orientação da professora Débora de Hollanda Souza.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



