Riscos da suplementação proteica infantil após fala de influenciadora
Especialistas alertam para os perigos do consumo excessivo de suplementos em crianças
A declaração da influenciadora fitness Carol Borba, que afirmou oferecer suplementos como whey protein e creatina à filha de 3 anos, reacendeu debate sobre os riscos da suplementação proteica em crianças. Especialistas alertam que, apesar do crescimento do mercado de produtos proteicos no Brasil, o consumo indiscriminado, especialmente entre crianças, pode trazer prejuízos à saúde.
O mercado brasileiro de suplementos proteicos tem crescido significativamente, com o setor de whey protein registrando aumento médio anual de 8% entre 2020 e 2025. Pesquisa do Instituto Atlas/Intel indica que 30% dos brasileiros são influenciados pelo selo de proteína na compra, e 37,9% relatam impacto direto das redes sociais, como Instagram e TikTok. Essa popularização reforça a ideia de “bater a meta de proteína”, muitas vezes sem considerar necessidades individuais.
Segundo o Dr. Renato Zorzo, médico e professor da pós-graduação em Nutrologia da Afya, a maioria das pessoas já atinge suas necessidades diárias de proteína por meio de alimentação equilibrada. A suplementação é indicada principalmente em casos específicos, como ganho de massa muscular, prática esportiva intensa ou estratégias de emagrecimento com restrição calórica. Fora desses contextos, o consumo excessivo pode causar constipação, alterações na microbiota intestinal, aumento de ureia e ácido úrico, além de sobrecarga nos rins e fígado.
No caso das crianças, o cuidado deve ser maior. A Dra. Isabela Pires, médica e professora da pós-graduação em Pediatria da Afya Brasília, destaca que o organismo infantil está em desenvolvimento e que, na maioria dos casos, uma alimentação natural e variada supre as necessidades proteicas para crescimento saudável. Ela reforça a importância de priorizar alimentos naturais, como legumes, frutas e cereais, e alerta que a introdução precoce e desnecessária de suplementos pode prejudicar a formação de hábitos alimentares adequados.
Além dos impactos comportamentais, o excesso de suplementos pode sobrecarregar sistemas como o renal e o digestivo, especialmente quando os nutrientes são oferecidos de forma industrializada e concentrada.
O Dr. Renato reforça que a suplementação em crianças deve ser feita apenas em situações específicas, como doenças ou desnutrição, sempre com acompanhamento profissional.
Especialistas concordam que o principal é evitar extremos e buscar equilíbrio. A alimentação é apenas um dos pilares da saúde, que também inclui prática regular de atividade física, sono de qualidade e manejo do estresse. Nenhuma suplementação substitui esses cuidados essenciais.
Em resumo, embora a proteína seja indispensável para o organismo, o excesso não traz benefícios adicionais e pode ser prejudicial, especialmente para crianças. O foco deve estar em garantir alimentação equilibrada e adequada ao momento de desenvolvimento, sem seguir modismos ou tendências das redes sociais.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



