Reconstrução mamária é prioridade para a sociedade brasileira
Apenas 20,5% das pacientes do SUS realizam reconstrução mamária após mastectomia, apesar da lei que assegura o direito ao procedimento
A reconstrução mamária após mastectomia é uma etapa fundamental no tratamento integral do câncer de mama, contribuindo para a reabilitação física e psicológica das pacientes. Segundo levantamento recente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), apenas 20,5% das mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) realizam esse procedimento.
Em reuniões com o Ministério da Saúde, a SBM tem defendido a ampliação do acesso à reconstrução mamária no SUS, ressaltando que a baixa cobertura representa um problema grave para a saúde e qualidade de vida das mulheres. O presidente da SBM, mastologista Guilherme Novita, destaca que cerca de um terço da população com menos de 50 anos não realiza o procedimento, comprometendo sua vida social, conjugal e profissional, apesar de ser um direito assegurado por lei.
A Lei nº 15.171/2025, em vigor desde novembro do ano passado, ampliou o direito das mulheres de recorrer ao SUS para a cirurgia de reconstrução mamária não apenas em casos oncológicos, mas também em situações de malformações, mamas tuberosas, grandes assimetrias, gigantismo e outras condições. A legislação permite ainda a simetrização da mama contralateral.
Apesar da legislação, a reconstrução mamária enfrenta obstáculos no SUS, principalmente financeiros. O sistema público paga em média R$ 500 por cirurgia, valor insuficiente para cobrir o custo da prótese, que pode superar R$ 1.000. Como resultado, poucos hospitais públicos realizam o procedimento, absorvendo prejuízos, enquanto a maioria não oferece a cirurgia.
Essa realidade gera filas para reconstrução tardia, que não são prioridade no sistema público e podem levar à desistência do procedimento. Além disso, a reconstrução tardia implica custos maiores, pois exige uma segunda internação hospitalar.
No setor privado, cerca de 25% das pacientes submetidas à mastectomia, mesmo sem contraindicações clínicas, não realizam a reconstrução mamária.
Para a SBM, a reconstrução mamária deve ser vista como parte fundamental do tratamento do câncer de mama, não apenas como uma intervenção estética. A entidade defende a criação de modelos regionais adequados e o aprimoramento das políticas públicas para garantir o acesso efetivo ao procedimento. Guilherme Novita conclui que a perspectiva é curar não só o câncer, mas a pessoa que passa pela doença.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



