Como padrões da infância influenciam a culpa na maternidade

Crenças herdadas e experiências passadas moldam comportamentos maternos e podem ser transformadas

A culpa é um dos sentimentos mais presentes na maternidade, mas suas raízes podem ser mais profundas do que as dificuldades do dia a dia. Padrões herdados de gerações anteriores e crenças formadas na infância moldam a maternidade atual, desde o medo da gravidez até a exaustão por excesso de sacrifícios profissionais. Nenhuma mãe escolhe conscientemente repetir o que não quer que seus filhos também vivam. Mas uma culpa que paralisa, um medo sem nome, um padrão que se repete com os filhos quase sempre têm raízes mais antigas do que a própria maternidade. São crenças formadas na infância, herdadas da família, gravadas no subconsciente antes mesmo da mulher se tornar mãe.

O ThetaHealing, que utiliza a frequência cerebral Theta para identificar e reprogramar crenças limitantes entre o subconsciente e o consciente, propõe investigar e transformar essas camadas profundas.

Michelle Capella, mãe solo de um menino de 11 anos, chegou ao ThetaHealing num momento de crise e percebeu que a culpa que sentia como mãe não era dela, mas um padrão herdado. “Eu percebi que eu repetia alguns padrões da minha mãe, principalmente em relação ao sacrifício na maternidade. Sacrificar a minha vida profissional, a minha vida social, achando que eu tinha que abrir mão de tudo por causa do meu filho. Acreditava que a prioridade era ele, independente de como eu me sentia”, relata Michelle, terapeuta integrativa e mãe. A culpa de trabalhar, de sair, de existir fora da maternidade era tão intensa que ela se sentia errada por precisar de qualquer coisa para si mesma. Hoje, ela consegue dizer ao filho algo que antes seria impensável: “Hoje eu consigo expressar para o meu filho que antes de ser mãe eu sou mulher. E que para eu ser uma mãe boa para ele, eu também tenho que cuidar de mim. Às vezes eu vou fazer escolhas com as quais ele pode não concordar, mas que para mim é o melhor no momento. E consigo fazer isso sem culpa”, enfatiza Michelle.

Deva Nandi, diretora da Casa Portal Healing, observa que a maternidade é um espelho onde crenças geracionais aparecem com nitidez. A maior parte dessas crenças é inconsciente e por isso se perpetuam. “Essas crenças estão no subconsciente e não escolhemos carregá-las. Nós testemunhamos ou vivemos situações, absorvemos e as levamos”, explica Deva Nandi.

Um exemplo é o caso de uma mulher que não conseguia levar a gravidez a termo e, após sucessivos processos de inseminação sem resultado, identificou-se uma crença ancestral no subconsciente de nível genético: o medo de ser abandonada pelo marido após ter filhos, padrão presente na avó e na mãe. Com ferramentas do ThetaHealing, esse padrão foi trabalhado e ela conseguiu ter filhos.

Outra história é de uma mãe que percebeu que toda vez que visitava a filha adulta, a filha adoecia. Na infância, essa mãe viajava muito a trabalho e só desmarcava a agenda quando a filha adoecia e precisava de cuidados. Trabalhou-se a crença de que a filha só teria atenção da mãe se estivesse doente, e isso nunca mais aconteceu.

Deva Nandi também relata uma experiência pessoal com o filho, que chegou da escola com notas vermelhas e muito arrasado. Em vez de repreendê-lo, ela o levou para almoçar no restaurante que ele gostava. “Ele ficou perplexo. E aí eu expliquei que identificava nele a crença de que ele tinha que ser perfeito para ser amado, uma crença bastante comum. Expliquei que o desempenho dele pode mudar, mas quem ele é não muda e aplicamos ferramentas de ThetaHealing. No semestre seguinte, o boletim estava absolutamente azul novamente”, conta a terapeuta.

Para Deva Nandi, a maternidade é um dos campos onde o ThetaHealing mais transforma as mulheres. “Só consegue mudar aquilo que enxergamos, aceitamos e acolhemos. É preciso honrar tudo que recebemos dos nossos pais e nos abrir para ressignificar. Os nossos filhos merecem que a gente reelabore coisas que não fazem mais sentido nem para a gente, nem para eles”, finaliza.

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Por Christiane Pereira Coelho

Não explicitamente mencionadas, mas atua como comunicadora (Chris Coelho Comunica) e apresenta a diretora Deva Nandi como especialista em ThetaHealing.

Artigo de opinião

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