SBR atualiza diretrizes para tratamento da fibromialgia no Brasil
Sociedade Brasileira de Reumatologia reforça abordagem interdisciplinar e uso racional de medicamentos
A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) publicou novas Diretrizes Brasileiras para o Tratamento da Fibromialgia, atualizando as recomendações de 2010 com base em evidências científicas recentes. A fibromialgia afeta entre 2,5% e 3% da população brasileira, sendo a segunda doença reumatológica mais comum no país, e provoca dor crônica generalizada, fadiga, distúrbios do sono e impacto significativo na qualidade de vida.
O documento reforça que o manejo eficaz da fibromialgia exige uma abordagem interdisciplinar, contínua e centrada no paciente. A doença está relacionada a alterações no processamento central da dor e frequentemente está associada a quadros de ansiedade e depressão. Por isso, o tratamento deve considerar não apenas os sintomas físicos, mas também aspectos emocionais, cognitivos e funcionais.
Entre as principais recomendações das novas diretrizes estão o uso de instrumentos validados para avaliar a gravidade da doença e a resposta ao tratamento, como o Revised Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQR) e o Fibromyalgia Survey Questionnaire (FSQ), ambos disponíveis em português.
As estratégias terapêuticas com melhor evidência científica incluem a educação do paciente e familiares, fundamental para melhorar a adesão ao tratamento e a autonomia; a prática regular de exercícios físicos, especialmente programas que combinam atividade aeróbica e treinamento de força, que ajudam a reduzir a dor e melhorar a funcionalidade; e terapias psicológicas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), eficazes no controle da dor, do sono e dos sintomas emocionais.
Além disso, técnicas de neuromodulação e acupuntura são recomendadas para alívio da dor, principalmente no curto prazo. Outras práticas complementares, como Tai Chi Chuan, exergames e aspectos relacionados à espiritualidade, podem ser utilizadas como apoio ao tratamento convencional.
O tratamento conduzido por equipes interdisciplinares, envolvendo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, educadores físicos, nutricionistas e outros profissionais, apresenta resultados superiores em qualidade de vida quando comparado ao cuidado exclusivamente médico.
No que diz respeito ao tratamento farmacológico, as diretrizes indicam que os medicamentos têm como objetivo aliviar sintomas e melhorar a funcionalidade, mas nenhum fármaco isolado controla completamente a doença. Entre os medicamentos com melhor evidência estão a amitriptilina, indicada para dor e distúrbios do sono; a duloxetina, com eficácia moderada no controle da dor; e a pregabalina, que beneficia dor, sono e qualidade de vida.
Outros antidepressivos, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), e a gabapentina não possuem evidência suficiente para recomendação formal. O uso rotineiro de opioides, anti-inflamatórios, canabinoides, benzodiazepínicos e terapias intravenosas não é recomendado devido à falta de eficácia comprovada e riscos de efeitos adversos.
As novas diretrizes da SBR reforçam que o tratamento da fibromialgia deve ser integrado, centrado no paciente, combinando terapias farmacológicas e não farmacológicas, com acompanhamento contínuo e metas realistas.
Importante destacar que a fibromialgia não é uma doença autoimune. Diferentemente das doenças autoimunes, em que o sistema imunológico ataca o próprio corpo, a fibromialgia está relacionada a alterações no processamento da dor e não envolve esse mecanismo imunológico.
Os principais sintomas da fibromialgia incluem dor generalizada em vários pontos do corpo, fadiga intensa mesmo após descanso, distúrbios do sono, sensação de formigamento nas extremidades, dificuldades cognitivas e, frequentemente, ansiedade e depressão associadas.
Essas atualizações nas diretrizes brasileiras representam um avanço importante para o cuidado integral das pessoas com fibromialgia, promovendo tratamentos baseados em evidências e adaptados à realidade do país.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



