Diagnóstico da endometriose pode levar até 10 anos no Brasil
A doença é subdiagnosticada por ser confundida com cólica menstrual intensa, atrasando tratamento e agravando sintomas
A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta o sistema reprodutor feminino e pode levar de 7 a 10 anos para ser diagnosticada no Brasil, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse atraso ocorre principalmente porque a condição ainda é frequentemente associada apenas à cólica menstrual intensa, o que contribui para o subdiagnóstico e o início tardio do tratamento.
Estima-se que cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo tenham endometriose, o que representa aproximadamente 190 milhões de pessoas. No Brasil, embora não haja dados oficiais consolidados, a prevalência segue esse padrão global.
A ginecologista Fernanda Dib, da clínica Atma Soma, destaca que a dor menstrual intensa é muitas vezes interpretada como algo esperado, dificultando a busca por avaliação médica e a investigação adequada dos sintomas desde o início.
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste o útero, cresce fora da cavidade uterina, atingindo órgãos como ovários, trompas, intestino e bexiga. Isso pode causar inflamação, dor pélvica crônica e alterações no funcionamento desses órgãos. Os sintomas mais comuns incluem cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual, dor ao evacuar ou urinar, fadiga e distensão abdominal.
Contudo, a intensidade da dor nem sempre corresponde à gravidade da doença, tornando a escuta clínica e a investigação cuidadosa essenciais. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomenda que a suspeita clínica seja considerada especialmente em mulheres com dor pélvica recorrente ou infertilidade sem causa aparente.
O diagnóstico definitivo pode exigir exames de imagem específicos, como ressonância magnética com preparo intestinal, ou procedimentos cirúrgicos, como a laparoscopia.
O atraso no diagnóstico não apenas retarda o tratamento, mas também pode agravar o quadro clínico, já que a endometriose é progressiva e pode levar à formação de aderências e comprometimento de órgãos. Além dos impactos físicos, há consequências para a saúde mental, produtividade e relações pessoais. Estudos indicam maior risco de ansiedade e depressão em mulheres que convivem por longos períodos sem diagnóstico.
Fernanda Dib ressalta que o atraso está ligado à forma como os sintomas são interpretados: “Quando a dor é tratada como algo esperado, perde-se a oportunidade de investigar precocemente.” Ela também enfatiza a importância de uma abordagem integrada, considerando que a endometriose pode afetar o funcionamento intestinal, o sono, a saúde emocional e o metabolismo.
O diagnóstico precoce é fundamental para melhorar a qualidade de vida e reduzir complicações. Informação qualificada e acesso a acompanhamento especializado são pilares para enfrentar o subdiagnóstico da doença. A ginecologista conclui que “a cólica incapacitante não deve ser considerada normal. Quando o corpo sinaliza de forma persistente, é preciso investigar.”
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



