Flávia Iriarte estreia no romance após formar 8 mil escritores

Editora e mentora lança “Instruções para desaparecer devagar”, que aborda privilégio, medo e tensões entre mulheres

Flávia Iriarte, editora e mentora que orientou mais de 8 mil escritores, estreia no romance com “Instruções para desaparecer devagar” (Faria e Silva). Após mais de 15 anos atuando nos bastidores do mercado editorial brasileiro, ela assume o papel de autora para tratar de temas como privilégio, medo e as tensões entre mulheres de diferentes classes sociais.

O romance parte de uma experiência pessoal da escritora durante uma viagem ao Camboja, em 2016, quando se hospedou em uma pousada em ruínas, sem tranca na porta, sentindo um medo constante, sensação que, segundo ela, é comum a muitas mulheres. A narrativa acompanha Alice, jovem branca e rica, e Bárbara, colega de classe da periferia, convidada para uma viagem custeada pelo pai de Alice. O que começa como uma tentativa simbólica de reparação se transforma em um confronto silencioso entre as duas protagonistas, culminando em um episódio violento que as obriga a enfrentar questões que preferiam evitar.

Flávia define a obra como uma “tragédia contemporânea” que atualiza a estrutura clássica de Aristóteles para um contexto em que o destino é moldado por fatores sociais como classe, gênero e raça, e não por forças divinas. A amizade feminina, frequentemente idealizada, é retratada como um espaço de tensões, hierarquias e silenciamentos. A autora destaca que, embora todas as mulheres enfrentem desafios comuns, as desigualdades internas ao grupo — como diferenças de classe e raça — geram conflitos específicos.

Para transmitir essas complexidades, Flávia optou por uma escrita seca e direta, evitando o excesso de ornamentos na linguagem. Entre suas influências estão o cinema de Michael Haneke e autores como J.M. Coetzee, Elfriede Jelinek, Ottessa Moshfegh e Arnon Grunberg. A autora também fez uma escolha ética importante ao reescrever o final do livro, garantindo que suas personagens não ficassem presas ao episódio traumático, mas tivessem a chance de retomar suas narrativas pessoais.

Além de escritora, Flávia é fundadora da Editora Oito e Meio, que já publicou mais de 320 autores brasileiros, e da escola online Carreira Literária, que forma escritores em todo o país. Ela também coordena a pós-graduação em Escrita Criativa da Uniítalo/NESPE, onde leciona. Em 2016, foi uma das vencedoras do Prêmio Jovens Talentos da Indústria do Livro.

Flávia mantém uma visão crítica do mercado editorial, destacando a concentração de poder nas mãos de poucas famílias tradicionais, mas reconhece o crescimento das editoras independentes e iniciativas que ampliam a diversidade literária. Para ela, a transição da edição para a ficção não representa ruptura, mas consequência natural de sua trajetória como leitora, editora e professora.

Atualmente, trabalha em seu próximo romance, que abordará a amizade de três amigos marcada por uma tragédia e a dificuldade de encontrar respostas para o passado. Com “Instruções para desaparecer devagar”, Flávia Iriarte consolida sua presença no cenário literário brasileiro, trazendo uma narrativa que dialoga com questões sociais e femininas atuais.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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