Mães autistas: desafios e descobertas após diagnóstico tardio
Neurologista do Paraná explica como a maternidade pode revelar o autismo em mulheres e aponta estratégias para lidar com a sobrecarga sensorial e emocional
A maternidade pode ser um momento decisivo para mulheres que descobrem ser autistas apenas após o nascimento dos filhos. Segundo o neurologista Dr. Matheus Trilico, referência no tratamento do autismo em adultos no Paraná, a chegada de um bebê traz uma sobrecarga sensorial, emocional e de rotina que muitas mães autistas reconhecem como um sinal de que sempre funcionaram de forma diferente, mas sem um diagnóstico formal.
O autismo feminino, muitas vezes camuflado, apresenta desafios específicos. O dia a dia de uma mãe autista pode ser marcado por dificuldades com estímulos considerados normais para outras pessoas, como barulhos constantes, toques frequentes e interrupções. O neurologista explica que “um choro repetitivo, por exemplo, pode ser fisicamente doloroso para quem tem hipersensibilidade auditiva”. Estudos indicam que cerca de 96% dos autistas enfrentam dificuldades no processamento sensorial, o que torna o ambiente doméstico imprevisível e ruidoso especialmente desafiador.
Além da sobrecarga física, há também a pressão social e interna para manter uma “máscara” de normalidade, fenômeno conhecido como camuflagem social. Dr. Trilico destaca que “na maternidade, essa máscara começa a cair, porque a exigência emocional é constante e o esforço para parecer ‘normal’ torna-se insustentável”. Essa situação pode levar ao burnout autístico, um estado de esgotamento extremo.
Muitas mães autistas relatam sentimentos de culpa por precisarem de silêncio ou por não corresponderem a expectativas idealizadas da maternidade. Para elas, o diagnóstico tardio pode ser um alívio, pois traz uma explicação neurobiológica para suas dificuldades, promovendo autocompaixão e autocuidado.
Para viver a maternidade de forma mais saudável, o neurologista recomenda algumas estratégias: criar rotinas previsíveis para reduzir a sobrecarga cognitiva; respeitar os limites sensoriais, utilizando ferramentas como fones com cancelamento de ruído; dividir responsabilidades para preservar a saúde mental; e manter uma comunicação clara com a rede de apoio, que deve estar atenta a sinais de sobrecarga, como irritabilidade, recusa ao toque ou necessidade de isolamento.
Dr. Matheus Trilico reforça que “não existe uma única forma de maternar”. Quando a mulher autista se entende e respeita sua neurodivergência, ela pode encontrar um jeito próprio, muitas vezes mais sensível e conectado às necessidades do filho. Este olhar contribui para ampliar a compreensão sobre a maternidade na neurodiversidade, valorizando diferentes formas de cuidar e amar.
Fonte: Dr. Matheus Luis Castelan Trilico, neurologista especialista em autismo em adultos.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



