Câncer de pâncreas cresce entre jovens e alerta para diagnóstico precoce
Estudo internacional aponta aumento de casos em pessoas até 49 anos e destaca importância de identificar sintomas iniciais
Um estudo recente publicado na revista científica JCO Global Oncology, conduzido por pesquisadores do Brasil e do Canadá, aponta aumento na incidência e mortalidade do câncer de pâncreas entre pessoas de até 49 anos. A análise, que abrange dados de 204 países, indica que essa forma precoce da doença pode se tornar um dos maiores desafios globais de saúde até 2040.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 11 mil novos casos anuais. Apesar da incidência ser relativamente baixa em comparação a outros tipos de câncer, a gravidade da doença é alta devido ao diagnóstico tardio.
Segundo o Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), o tumor costuma ser silencioso nos estágios iniciais. “Quando os sintomas aparecem, a doença geralmente já está avançada, com metástases, o que limita as opções de tratamento e reduz as chances de cura”, explica.
O pâncreas é uma glândula localizada atrás do estômago, responsável pela digestão e produção de hormônios como a insulina. O câncer surge quando as células pancreáticas se multiplicam descontroladamente, formando tumores que podem invadir tecidos próximos ou se espalhar para outras regiões do corpo. O tipo mais comum e agressivo é o adenocarcinoma pancreático, que pode se desenvolver no tecido ou nos ductos pancreáticos.
Existem também lesões benignas com potencial maligno, como a neoplasia mucinosa papilar intraductal (IPMN), que requer acompanhamento rigoroso e, em alguns casos, cirurgia precoce.
Os sintomas mais frequentes incluem dor abdominal, emagrecimento rápido, cansaço, perda de apetite, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura, fezes claras e, eventualmente, uma massa palpável no abdômen. O Dr. Nacif alerta que os sintomas variam conforme a localização do tumor e que, em estágios iniciais, podem ser inespecíficos ou ausentes, dificultando o diagnóstico.
Fatores de risco importantes são tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, diabetes tipo 2, colesterol desregulado, sedentarismo e dietas ricas em alimentos ultraprocessados.
O diagnóstico geralmente começa com a investigação clínica dos sintomas, seguida por exames laboratoriais e de imagem, como tomografia, ressonância magnética e ultrassom endoscópico. A confirmação pode exigir biópsia.
Casos recentes mostram que tumores pancreáticos podem ser descobertos incidentalmente durante exames para outras condições, devido à proximidade do pâncreas com os rins.
O tratamento depende do estágio da doença. Quando o tumor está restrito ao pâncreas, a cirurgia pode ser curativa. Em casos avançados, são indicadas quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, imunoterapia, visando controlar a doença e melhorar a qualidade de vida.
O especialista reforça que o diagnóstico precoce é essencial para aumentar as chances de cura. “É fundamental manter acompanhamento regular com exames de rotina para rastrear alterações precocemente”, conclui o Dr. Lucas Nacif.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



