Parkinson: ABP pede mudanças no tratamento da doença no SUS

ABP alerta para subdiagnóstico e defende diagnóstico precoce e terapias multidisciplinares no SUS para Parkinson

A Associação Brasil Parkinson (ABP) lançou uma carta aberta à sociedade e aos gestores públicos, pedindo uma mudança urgente no tratamento da Doença de Parkinson no Sistema Único de Saúde (SUS). A entidade destaca que o modelo atual, centrado principalmente na medicação, é insuficiente e não atende às necessidades reais das pessoas com a doença.

Subdiagnóstico e visão limitada da doença

A ABP alerta para o subdiagnóstico da Doença de Parkinson, que muitas vezes é associada apenas ao tremor, ignorando sintomas silenciosos que podem surgir até dez anos antes das manifestações motoras. Atualmente, cerca de 500 mil brasileiros têm diagnóstico confirmado, mas a projeção indica que esse número pode ultrapassar 1 milhão nas próximas décadas.

Três pilares para o novo tratamento no SUS

O manifesto da ABP propõe três pilares essenciais para melhorar o cuidado no SUS:
– Capacitação na Atenção Primária: para reduzir o tempo entre os primeiros sinais da doença e o diagnóstico definitivo, facilitando o acesso precoce ao tratamento.
– Cuidado Multiprofissional: inclusão de fisioterapia especializada, fonoaudiologia e suporte psicológico como parte do tratamento padrão, garantindo uma abordagem integral.
– Atualização do Protocolo de Medicamentos: incorporação de novas tecnologias, como o pramipexol para fases iniciais, e combate ao desabastecimento crônico de medicamentos essenciais, como a Levodopa.

Impactos do envelhecimento da população

O envelhecimento da população brasileira é um fator que intensifica a necessidade de políticas públicas eficazes. Em 2026, 15% da população já é idosa, com previsão de chegar a 32% até 2060. Sem um cuidado integral, o custo social e econômico da dependência física causada pelo Parkinson será insustentável para o sistema de saúde e para as famílias.

A presidente da ABP, Dra. Erica Tardelli, reforça que o Parkinson é a condição neurológica que mais cresce no mundo e que a inação do Estado pode levar a um colapso na qualidade de vida dos idosos. A carta aberta da ABP destaca a urgência de um modelo de tratamento que vá além da medicação e inclua uma abordagem multidisciplinar e atualizada.

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