Envelhecimento com HIV impõe novos desafios clínicos
InfectoTchê 2026 discute fragilidade, comorbidades e qualidade de vida de pessoas vivendo com HIV
O aumento da expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV vem transformando o perfil da doença e trazendo novos desafios para a prática médica. Esse cenário será um dos destaques da programação do 7º InfectoTchê, promovido pela Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), nos dias 22 e 23 de maio de 2026, no Hotel Hilton Porto Alegre, em Porto Alegre (RS). O evento reunirá infectologistas e especialistas em saúde do adulto e do idoso para discutir como o envelhecimento impacta o cuidado com essa população.
O avanço do tratamento antirretroviral, conhecido popularmente como “coquetel”, mudou radicalmente a história do HIV. Hoje, na maioria dos casos, o tratamento é feito com um ou dois comprimidos por dia, disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e permite que a pessoa tenha uma expectativa de vida semelhante à de quem não vive com o vírus, especialmente quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento iniciado rapidamente.
O presidente da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), Dimas Alexandre Kliemann, explica que essa mudança trouxe um novo olhar para o acompanhamento clínico. “Hoje, as pessoas vivendo com HIV não morrem mais, na grande maioria dos casos, por complicações diretamente ligadas à infecção. Elas envelhecem e passam a apresentar doenças que também são comuns na população geral, como câncer, doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral. Em alguns casos, esses problemas podem até ser mais frequentes, o que exige acompanhamento mais atento”, afirma.
Dentro do módulo científico, o InfectoTchê irá abordar temas como fragilidade, alterações renais, osteopenia e osteoporose, além de comorbidades metabólicas como colesterol elevado e diabetes. Esses fatores, associados ao envelhecimento e, em alguns casos, ao uso prolongado de medicamentos, podem impactar a qualidade de vida e exigem uma abordagem integrada entre diferentes especialidades.
Além do acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida também ganham protagonismo no cuidado. Alimentação equilibrada, prática de atividade física e cessação do tabagismo são estratégias fundamentais para reduzir riscos e melhorar o prognóstico.
Outro ponto em discussão será a preparação do sistema de saúde para o envelhecimento da população. Questões como acessibilidade, diagnóstico precoce de fragilidade e acesso a exames e tratamentos ainda representam desafios. “O sistema de saúde, de forma geral, ainda é muito reativo. Precisamos avançar na preparação para o envelhecimento, com estruturas mais acessíveis e com maior disponibilidade de exames e tratamentos, tanto para pessoas vivendo com HIV quanto para a população como um todo”, destaca o presidente da SGI, Dimas Alexandre Kliemann.
Realizado pela SGI, com apoio da Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS), o 7º InfectoTchê reunirá painéis clínicos, simpósios satélites, discussão de casos e debates sobre os principais desafios contemporâneos da Infectologia, traduzindo conhecimento científico em informações que impactam diretamente o cuidado com a saúde da população.



