Ataques a profissionais e unidades de saúde continuam sem proteção eficaz
Dez anos após resolução da ONU, ataques a equipes médicas em conflitos seguem frequentes e sem responsabilização
Dez anos após a adoção da Resolução 2286 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que comprometeu mais de 80 Estados a proteger profissionais e unidades de saúde em zonas de conflito, a realidade permanece preocupante. A organização médico-humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta que ataques contra equipes médicas e infraestruturas continuam frequentes, colocando em risco vidas e o acesso a cuidados essenciais.
Compromisso internacional ainda não garantiu segurança
Em 3 de maio, completa-se uma década desde que a Resolução 2286 foi aprovada, com o objetivo de proteger instalações médicas, equipamentos e profissionais da saúde em áreas de guerra. No entanto, a prática mostra que muitos Estados falham em cumprir esse compromisso. Em 2025, o Sistema de Vigilância de Ataques à Assistência à Saúde da Organização Mundial da Saúde registrou 1.348 ataques a unidades médicas, resultando na morte de 1.981 pessoas.
Impactos diretos e prolongados dos ataques
Os ataques variam desde bombardeios aéreos e ataques com drones até agressões a ambulâncias claramente identificadas. Países como Síria, Iêmen, Ucrânia, Território Palestino, Mianmar, Camarões, Haiti e Líbano foram palco dessas violações. Além das vítimas fatais e feridos, a destruição das infraestruturas médicas compromete o atendimento à população local, que muitas vezes fica sem acesso a cuidados básicos por medo ou falta de serviços.
Atuação de Médicos Sem Fronteiras em meio aos conflitos
Mesmo diante dos riscos, as equipes de MSF continuam atuando em mais de 70 países. Em 2025, no Sudão, foram realizadas quase 850 mil consultas ambulatoriais, 95.600 internações e 29 mil partos assistidos. Em Gaza, as equipes realizaram 913 mil consultas ambulatoriais, internaram cerca de 54 mil pessoas e conduziram 89.800 sessões de saúde mental. Na Ucrânia, ambulâncias encaminharam 10.700 pacientes — 60% deles com ferimentos relacionados à guerra — e as equipes médicas prestaram 45.300 consultas ambulatoriais por meio de clínicas móveis, além de realizarem 9.750 sessões de fisioterapia.
Exigência por ações concretas dos Estados
O presidente internacional de MSF, Dr. Javid Abdelmoneim, afirmou que o que antes era considerado excepcional agora tornou-se comum, com flagrante desrespeito à proteção da assistência médica. A organização cobra que os Estados cumpram suas obrigações, parem de negar ou justificar os ataques e promovam a responsabilização dos responsáveis. A proteção prevista pelo Direito Internacional Humanitário deve ser garantida por ações efetivas, não apenas por palavras.
A continuidade desses ataques compromete não só a vida dos profissionais de saúde, mas também o direito das comunidades a receberem cuidados médicos essenciais, especialmente em contextos de conflito. O alerta de Médicos Sem Fronteiras reforça a urgência de medidas concretas para proteger quem salva vidas em situações extremas.



