Estresse não causa câncer, revela estudo com mais de 421 mil pessoas

Pesquisa global mostra que fatores biológicos e hábitos de vida são determinantes no câncer, não o estresse emocional.

Um dos maiores estudos já realizados sobre a relação entre estresse e câncer analisou dados de mais de 421 mil pessoas ao redor do mundo, acompanhadas por mais de 4,3 milhões de pessoas-ano. A pesquisa, publicada na revista Cancer, investigou fatores psicossociais como suporte social percebido, eventos de perda, qualidade dos relacionamentos, traços de personalidade e níveis de sofrimento emocional. A conclusão é clara: não há evidência de que o estresse ou sofrimento psicológico causem diretamente os tipos mais comuns de câncer, como mama, próstata e colorretal.

Fatores biológicos e hábitos de vida são determinantes

O estudo reforça o consenso científico de que o desenvolvimento do câncer está muito mais ligado a fatores comportamentais e biológicos do que a aspectos emocionais. Hábitos como tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo e alimentação inadequada são os principais determinantes modificáveis da doença, com impacto muito maior no risco individual. Mesmo em casos como o câncer de pulmão, onde houve alguma associação com fatores psicossociais, essa relação ocorre de forma indireta, pois o sofrimento pode levar a comportamentos de risco, como fumar mais, e não atuar como causa biológica direta.

O impacto do estresse na jornada do paciente

Para a psico-oncologista Cristiane Bergerot, da Oncoclínicas, um ponto importante do estudo é ajudar a reduzir a culpa que muitos pacientes sentem ao associar o câncer a momentos difíceis da vida. Essa percepção equivocada pode aumentar o sofrimento emocional e afetar as relações familiares, além de influenciar negativamente a forma como o paciente encara o tratamento. O estresse, embora não cause o câncer, impacta a qualidade de vida, a capacidade de enfrentamento e a adesão ao tratamento, fatores essenciais para a evolução clínica.

Prevenção e cuidado integral

Os pesquisadores destacam que as políticas públicas e estratégias de prevenção devem focar em fatores com evidência científica consolidada, como controle do tabagismo, alimentação equilibrada, prática de atividade física e rastreamento adequado. A saúde mental deve ser integrada ao cuidado, não como causa do câncer, mas como elemento fundamental para promover o bem-estar e favorecer escolhas mais saudáveis. Ao desmistificar a ideia de que emoções causam câncer, o estudo contribui para uma abordagem mais acolhedora e baseada em evidências, reduzindo estigmas e auto culpabilização.

👁️ 73 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar