Abril Verde 2026: dados e empatia na saúde mental no trabalho

A campanha Abril Verde 2026 destaca a urgência da saúde mental e a atualização da NR-1 para prevenção de riscos psicossociais nas empresas.

O mês de abril carrega uma simbologia de alerta no calendário corporativo brasileiro. O “Abril Verde”, instituído em memória às vítimas de acidentes de trabalho e reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), ganhou em 2026 mais uma urgência: a saúde mental. Se antes a campanha já estava longe de uma mera conscientização visual, a data agora confronta o mercado com números que expõem a fragilidade da prevenção nas empresas.

Dados recentes do Ministério da Previdência Social apontam que o Brasil registrou o recorde de 4 milhões de afastamentos do trabalho em 2025. Enquanto os riscos físicos tradicionais continuam no topo, é a “epidemia invisível” que mais assusta e que traz números incertos. Foram 546.254 afastamentos por transtornos mentais e comportamentais no último ano, um aumento de 15% que gerou um impacto estimado de R$3,5 bilhões aos cofres públicos.

Fica evidente que o mercado de saúde e segurança do trabalho atravessa um dos seus maiores testes de maturidade. A campanha Abril Verde reforça que a prevenção não se resume mais à distribuição de equipamentos de proteção (EPIs ou EPCs). Ansiedade, estresse e burnout agora estão entre os riscos ocupacionais que demandam adaptações psicossociais no ambiente de trabalho, além do suporte psicológico individual para cada pessoa.

A atualização da NR-1, que chegará em breve, foi o empurrão regulatório necessário para essa mudança de mentalidade. Ao incluir os riscos psicossociais, a legislação exige que as empresas entrem no campo da gestão técnica.

Mas como medir o que não se vê? A resposta está no envolvimento ativo das lideranças e na digitalização dos processos. Palestras anuais são insuficientes se a cultura organizacional não oferece segurança psicológica para o relato de esgotamento. Uma gestão de SST estratégica, que centraliza indicadores de saúde, documentos e exames, permite que o gestor deixe de ‘apagar incêndios’ para atuar na causa raiz dos afastamentos.

O debate crescente sobre a NR-1 confirma: a saúde mental deixou de ser um tema periférico para se tornar pilar central da conformidade e segurança nas empresas.

Leandro Santos é CSO e fundador da Indexmed. Graduado em Administração de Empresas com ênfase em Empreendedorismo, o executivo possui especialização em Gestão de Projetos de TI pelo INPG, MBA em Gestão de Negócios pela USP e XBA em Gestão Exponencial pela StartSe.

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