Otoplastia vai além da estética e ajuda na autoestima

Procedimento pode ser realizado a partir dos 5 anos e ajuda a prevenir efeitos emocionais ligados ao bullying

Não é só uma questão de aparência. As orelhas em abano, condição que afeta cerca de 5% da população, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, podem ter um impacto profundo na autoestima, especialmente durante a infância e adolescência, fases marcadas pela construção da identidade e pela busca de pertencimento. Apelidos, comentários e situações de constrangimento no ambiente escolar ainda são frequentes e ajudam a explicar por que muitos pais buscam orientação médica cedo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, questões relacionadas à aparência estão entre os fatores que podem contribuir para insegurança emocional e episódios de bullying entre crianças e adolescentes.

Segundo o cirurgião plástico Dr. Raphael Alcalde, da Visage Clinique e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a otoplastia é um procedimento que pode trazer benefícios que vão além do espelho. “Corrigir a projeção das orelhas não é apenas uma questão estética. Muitas vezes, estamos falando de devolver autoconfiança e qualidade de vida, principalmente em idades mais jovens”, explica. A cirurgia pode ser realizada a partir dos 5 ou 6 anos, quando a orelha já está praticamente formada. Nessa fase, a intervenção pode evitar impactos emocionais mais duradouros. “É um procedimento seguro, com recuperação rápida e resultados bastante naturais quando bem indicado”, afirma o especialista.

Mas não são apenas as crianças que procuram a cirurgia. Cada vez mais adultos têm buscado a otoplastia como forma de resolver um incômodo antigo. “Muitos pacientes dizem que passaram a vida escondendo as orelhas com o cabelo ou evitando certos penteados. A cirurgia representa, para eles, uma libertação”, comenta Dr. Raphael Alcalde.

A técnica consiste em remodelar a cartilagem da orelha, aproximando-a da cabeça e criando um contorno mais harmônico. O procedimento costuma ser feito com anestesia local e sedação, e o retorno às atividades acontece em poucos dias. Ainda assim, a avaliação individual é indispensável. Cada rosto tem suas particularidades, e o planejamento deve considerar não apenas a anatomia, mas também as expectativas do paciente. Por isso, a recomendação é sempre procurar um especialista membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

“No fim, não se trata apenas de corrigir o formato das orelhas, mas de transformar a forma como a pessoa se vê e se sente”, conclui o médico.

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