Pediatria da FMUSP e ICr buscam voluntários para pesquisa sobre TEA
Estudo nacional investiga percurso das famílias até diagnóstico e terapias do autismo
O Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e o Instituto da Criança e do Adolescente (ICr) do Hospital das Clínicas da FMUSP estão conduzindo uma pesquisa nacional sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O estudo tem como objetivo mapear o percurso das famílias desde a primeira suspeita do transtorno até o acesso às terapias disponíveis, buscando gerar evidências que possam contribuir para o aprimoramento das políticas públicas de saúde no Brasil.
A pesquisa é destinada a pais e responsáveis por crianças e adolescentes diagnosticados com TEA. Para participar, é necessário ter mais de 18 anos, residir no Brasil e dispor de aproximadamente 15 minutos para responder a um questionário digital, que garante anonimato e praticidade. O formulário está disponível no link: linktr.ee/projetotea.
Coordenada pela professora doutora Ana Paula Scoleze Ferrer, pediatra e pesquisadora nas áreas de crescimento e desenvolvimento infantil, políticas públicas e atenção primária em pediatria, a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital das Clínicas da FMUSP (CAPPesq).
O estudo busca compreender como as famílias vivenciam o processo diagnóstico do TEA, desde a suspeita inicial até a confirmação, além de investigar o acesso às intervenções terapêuticas.
O Transtorno do Espectro Autista é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos. O termo “espectro” indica a diversidade das manifestações clínicas, que podem variar desde quadros com maior autonomia até situações que exigem apoio contínuo nas atividades diárias.
No Brasil, apesar dos avanços na conscientização sobre o TEA nos últimos anos, o acesso ao diagnóstico precoce e às terapias ainda apresenta desafios significativos. A pesquisa pretende identificar esses obstáculos para fundamentar políticas públicas que garantam o direito ao diagnóstico e ao tratamento adequado.
A professora Ana Paula destaca que “não podemos pautar o futuro de nossas crianças em suposições ou em esperas passivas. É por meio de evidências científicas que seremos capazes de fundamentar políticas públicas consistentes, que garantam a cada família o direito ao diagnóstico precoce e ao acesso equitativo a terapias. Por isso, a participação de todos é fundamental”.



