Jovens entre 20 e 35 anos apresentam hérnia de disco precocemente
Sedentarismo e uso excessivo de telas contribuem para lesões na coluna em adultos jovens
A hérnia de disco, condição tradicionalmente associada a pessoas com mais de 50 anos, tem sido cada vez mais diagnosticada em jovens adultos entre 20 e 35 anos. Essa mudança no perfil dos pacientes está relacionada principalmente ao estilo de vida moderno, marcado pelo sedentarismo e pelo uso excessivo de telas, como celulares e computadores.
Segundo o neurocirurgião Ricardo Graciano, especialista em coluna, o sedentarismo e a postura curvada adotada durante longos períodos diante de dispositivos eletrônicos aumentam a pressão sobre os discos intervertebrais. Essa sobrecarga pode causar fissuras e evoluir para hérnia de disco.
Estudos indicam que jovens passam, em média, mais de nove horas diárias sentados, somando trabalho, deslocamento e lazer digital, o que contribui para o desgaste precoce da coluna.
Os sintomas que merecem atenção incluem dor que irradia para pernas ou braços, dormência, formigamento, perda de força muscular e dor que piora ao tossir ou espirrar. O neurocirurgião alerta que dores persistentes, que duram semanas ou interferem na rotina, devem ser investigadas e não tratadas apenas com analgésicos.
O tratamento inicial para a maioria dos casos é conservador, envolvendo fisioterapia, fortalecimento muscular e controle da dor. Técnicas como bloqueios e infiltrações guiadas por ultrassom ajudam a reduzir a inflamação e evitar cirurgias maiores.
Quando a intervenção cirúrgica é necessária, procedimentos minimamente invasivos, como a cirurgia endoscópica da coluna, permitem recuperação rápida com pequenas incisões e menor agressão muscular.
A prevenção é fundamental e inclui ajustes ergonômicos, como a altura correta da tela do computador, pausas a cada 50 minutos, fortalecimento da musculatura abdominal e lombar, além de evitar longos períodos sentado sem interrupção. Também é importante buscar orientação adequada antes de iniciar atividades físicas intensas para evitar lesões.
Este fenômeno crescente reflete o impacto do estilo de vida digital na saúde da coluna, alertando para a importância de hábitos que promovam o movimento e o cuidado postural desde cedo.



