Ultrassom é aliado na detecção precoce de alterações ginecológicas na peri e pós-menopausa

Exame ajuda a identificar condições como miomas, cistos ovarianos e sinais de câncer antes do surgimento de sintomas

A transição para a menopausa e o período pós-menopausa trazem mudanças hormonais que podem impactar a saúde ginecológica da mulher. Nesse contexto, o ultrassom se destaca como uma ferramenta acessível, não invasiva e essencial para a avaliação do útero e dos ovários, contribuindo para a detecção precoce de alterações que muitas vezes evoluem de forma silenciosa. Entre as condições que podem ser identificadas pelo exame estão o espessamento endometrial, adenomiose, miomas, cistos ovarianos, endometriose e sinais sugestivos de câncer.

A médica radiologista Ana Paula Carvalhal Moura explica que “o ultrassom é um método acessível, não invasivo e extremamente importante para a avaliação ginecológica nessa fase da vida. Ele permite identificar alterações ainda em estágios iniciais, o que faz toda a diferença no prognóstico”.

A indicação do exame pode ocorrer de forma preventiva ou a partir de sintomas como aumento do sangramento na peri ou pós-menopausa, dor pélvica, aumento abdominal ou alterações menstruais no período de transição hormonal. A especialista destaca que “qualquer sangramento após a menopausa deve ser investigado, com ou sem o uso de terapia de reposição hormonal. O ultrassom é, na maioria das vezes, o primeiro exame solicitado para avaliar a causa e orientar a conduta clínica”.

Além de apoiar o diagnóstico, o ultrassom tem papel importante na tomada de decisão médica, ajudando a definir a necessidade de exames complementares, acompanhamento clínico, intervenções e ajustes na terapia de reposição hormonal. Muitas mulheres nessa fase recorrem à reposição para o controle dos sintomas, e o exame permite avaliar o endométrio, os ovários e possíveis alterações relacionadas ao uso hormonal, contribuindo para um seguimento mais preciso e seguro.

Outro ponto relevante é a endometriose, que pode persistir mesmo após a menopausa, tanto em mulheres em uso de terapia de reposição hormonal quanto naquelas que não fazem esse tratamento, pois as lesões podem manter atividade nessa fase da vida. Por isso, a atenção a sintomas e achados de imagem continua importante, e a ultrassonografia direcionada desempenha papel fundamental na identificação e acompanhamento dessas alterações.

“A prevenção passa também pelos exames de imagem. O ultrassom possibilita monitorar a saúde ginecológica de forma segura e direcionada, sem radiação, especialmente em uma fase em que algumas doenças se tornam mais prevalentes”, afirma Dra. Ana Paula.

Com o aumento da expectativa de vida feminina, cresce a necessidade de atenção à saúde na peri e pós-menopausa. Nesse cenário, a incorporação do ultrassom à rotina de cuidados é uma estratégia importante para garantir diagnóstico precoce, tratamento adequado e melhor qualidade de vida.

O tema será apresentado e debatido durante a 56ª Jornada Paulista de Radiologia (JPR), maior congresso de diagnóstico por imagem da América Latina, no dia 30 de abril de 2026, na sessão “Imagem da Mulher: Tópicos Essenciais da Prática Diária em Imagem Ginecológica”, com a aula “Avaliação Ultrassonográfica da Peri e Pós Menopausa”, ministrada por Ana Paula Carvalhal Moura.

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