Alta nos casos de feminicídio no Brasil expõe desafio e reforça papel da polícia no enfrentamento à violência de gênero

O Brasil vive um cenário alarmante no que diz respeito à violência contra as mulheres. Segundo dados divulgados

O Brasil vive um cenário alarmante no que diz respeito à violência contra as mulheres. Segundo dados divulgados pela Agência Brasil, somente em 2025, o país registrou 6.904 vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio, um aumento de 34% em relação ao ano anterior. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis mulheres mortas por dia. A maioria dos crimes ocorre dentro de casa e é cometida por parceiros ou ex-companheiros. Em muitos casos, a violência já vinha sendo registrada anteriormente, o que indica que grande parte dos feminicídios poderia ser evitada.

Em resposta a esse cenário, a atuação das forças policiais vem sendo cada vez mais discutida não apenas no combate ao crime, mas principalmente na prevenção e proteção das vítimas. Para a Cabo Laura Bastos Honda, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, a polícia tem um papel estratégico que começa antes mesmo da ocorrência do feminicídio. “Grande parte desses crimes é precedida por sinais claros de violência. Quando há denúncia, medida protetiva ou qualquer registro anterior, existe uma oportunidade real de intervenção”, explica.

Nesse contexto, programas de policiamento preventivo e acompanhamento de vítimas podem ser fundamentais. A atuação deve incluir visitas periódicas, monitoramento de medidas protetivas e orientação às vítimas sobre como agir em situações de risco. “A presença da polícia não deve ser vista apenas como resposta ao crime, mas como uma rede de apoio. Quando a vítima percebe que está sendo acompanhada, se sente mais segura inclusive para denunciar. Esse tipo de ação, inclusive, pode inibir o agressor e evitar a escalada da violência”, destaca a policial.

O enfrentamento ao feminicídio exige integração entre polícia, Judiciário e serviços de assistência para identificar situações de risco e agir com rapidez. O uso de dados e inteligência também deve ganhar espaço, permitindo mapear padrões de violência e direcionar ações preventivas de forma mais eficiente.

Embora o Brasil tenha avançado na legislação, com leis específicas e penas mais severas, os números mostram que isso, por si só, não tem sido suficiente. Para a Cabo Laura Bastos Honda, o caminho passa por fortalecer essa atuação próxima da comunidade. “Cada denúncia é uma oportunidade de salvar uma vida. A polícia precisa estar preparada para acolher, agir rápido e acompanhar esses casos de forma contínua”, conclui.

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