Da sala de aula para a vida: como criar o hábito da leitura
No Dia Mundial do Livro, celebrado em 23 de abril, especialistas ressaltam a importância de criar o hábito
No Dia Mundial do Livro, celebrado em 23 de abril, especialistas ressaltam a importância de criar o hábito da leitura, especialmente diante do excesso de informação e das mudanças no consumo de conteúdo. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, publicada em 2024 pelo Instituto Pró-Livro, revela que metade dos brasileiros não leu nem parte de um livro nos três meses anteriores ao levantamento. Contudo, entre os leitores, a média anual é de cerca de quatro livros por pessoa, considerando leituras completas e parciais.
Para educadores, o desafio não está na falta de interesse, mas na ausência de conexão entre o leitor e o conteúdo. A leitura deve ser uma experiência que faça sentido na rotina e no repertório dos estudantes, podendo ser desenvolvida em qualquer fase da vida.
A bibliotecária e analista de educação Ludmylla Pereira, da Faculdade SESI de Educação, destaca que “quem lê consegue identificar com facilidade aquilo que busca nesse mar de informações que vivemos”. Assim, a leitura não compete com a internet, mas se torna uma aliada para navegar com autonomia e senso crítico.
A relação com a leitura muitas vezes é marcada por experiências escolares centradas na obrigatoriedade, o que pode dificultar a formação do hábito. A docente Tamires Monteiro, também da Faculdade SESI de Educação, explica que “ler para uma prova é diferente de ler por prazer. Quanto mais experiências significativas com a leitura, mais esse hábito se fortalece”.
Entre estudantes universitários, a leitura costuma estar ligada às demandas acadêmicas, mas o desafio é ampliar sua presença para além das exigências formais, reconhecendo-a como prática cultural e pessoal.
O contato com a leitura pode começar ainda nos primeiros meses de vida, quando o vínculo com os livros estimula a curiosidade, mesmo antes da compreensão das palavras. Tamires Monteiro relata que sua filha teve contato com livros desde os primeiros meses e já demonstra interesse pelo objeto.
A infância, especialmente entre três e sete anos, é um período estratégico para o desenvolvimento do hábito, mas não existe idade limite para criá-lo. O que importa é a constância e a qualidade das experiências ao longo do tempo.
Criar o hábito da leitura não exige mudanças radicais, mas pequenos ajustes na rotina, como reservar alguns minutos do dia para ler, reduzir o tempo nas redes sociais e escolher leituras que despertem interesse pessoal. Tamires sugere “nem que sejam duas ou três páginas por dia”.
Ludmylla Pereira reforça que a leitura deve dialogar com o leitor, podendo ser quadrinhos, romance ou suspense, desde que desperte interesse.
Na formação universitária, a leitura deixa de ser apenas uma demanda e passa a ser ferramenta para o desenvolvimento crítico e ampliação do repertório. Estudantes relatam que o contato contínuo com diferentes textos contribui para a formação pessoal e profissional, apesar dos desafios da linguagem acadêmica.
Formar leitores depende não só de incentivo, mas também de contexto, acesso e identificação, visando formar sujeitos que reconhecem a leitura como parte da vida, refletindo na forma como aprendem e se desenvolvem.



