Aspirina ganha espaço na oncologia e pode ajudar a conter avanço do câncer

Uso da aspirina na oncologia mostra avanços, mas requer orientação médica

A aspirina, medicamento tradicionalmente utilizado para alívio da dor e prevenção cardiovascular, vem ganhando destaque na oncologia por seu potencial papel na prevenção e controle do câncer. Pesquisas acumuladas desde os anos 1970 indicam que a aspirina pode reduzir o risco de desenvolvimento de alguns tumores, especialmente o câncer colorretal, e também ajudar a conter a disseminação da doença pelo organismo.

Um estudo histórico publicado em 2020 acompanhou 861 pacientes com síndrome de Lynch, uma condição genética que eleva o risco de câncer intestinal. O uso diário de 600 mg de aspirina por pelo menos dois anos reduziu pela metade o risco de câncer colorretal nesses indivíduos. Pesquisas subsequentes, ainda em processo de revisão por pares, sugerem que doses menores, entre 75 mg e 100 mg por dia, podem ser igualmente eficazes, com melhor tolerabilidade e segurança.

Além da prevenção, a aspirina tem sido estudada por sua ação na redução da metástase, um dos maiores desafios no tratamento oncológico. Um estudo publicado em 2025 na revista Nature revelou que a aspirina interfere na produção do tromboxano A2, substância relacionada à coagulação sanguínea, favorecendo a ativação das células T do sistema imunológico. Essas células são essenciais para combater células tumorais que tentam se espalhar pelo organismo.

A oncologista Tatiane Montella, da Oncoclínicas, destaca que “a aspirina pode se tornar um componente ou uma terapia útil para prevenir metástases em pacientes com câncer”. Ela ressalta que, mesmo em estágios iniciais da doença, há risco de metástase, o que torna essa linha de pesquisa relevante para o tratamento oncológico.

Apesar dos avanços, ainda existem lacunas importantes quanto à dose ideal, tipos de tumor que podem se beneficiar e o perfil dos pacientes indicados para o uso da aspirina na oncologia.

Além disso, o medicamento não está isento de riscos. O efeito colateral mais comum é o sangramento, especialmente no trato gastrointestinal, que pode variar em gravidade. Por isso, especialistas reforçam que o uso da aspirina para prevenção ou tratamento do câncer deve ser sempre orientado por médicos. A aspirina, embora acessível e de baixo custo, exige acompanhamento rigoroso para evitar complicações.

Com estudos em andamento, a aspirina pode se consolidar como uma ferramenta complementar no combate ao câncer, especialmente em grupos de alto risco. No entanto, seu uso indiscriminado na população geral ainda não é recomendado, e a indicação deve seguir evidências científicas e supervisão médica.

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