Abandono vacinal supera 50% em alguns estados e acende alerta no Brasil
Anuário VacinaBR 2025 revela falhas na continuidade da imunização infantil
O Brasil enfrenta um desafio crescente na vacinação infantil. Segundo o Anuário VacinaBR 2025, desenvolvido em parceria entre UNICEF, Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e Instituto Questão de Ciência, o abandono do calendário vacinal ultrapassa 50% em alguns estados. Muitas crianças iniciam o esquema de vacinação, mas não completam todas as doses necessárias para garantir a proteção adequada.
Em 2024, 229 mil crianças brasileiras não receberam nenhuma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP), imunizante fundamental no início da vida, conforme dados do UNICEF e da Organização Mundial da Saúde. O problema não está apenas no acesso às vacinas, mas também na continuidade do esquema vacinal.
Globalmente, cerca de 20 milhões de crianças deixaram de receber ao menos uma dose de vacinas essenciais em 2024, sendo 14,3 milhões consideradas “zero dose”, ou seja, sem nenhuma imunização (UNICEF).
No Brasil, fatores como mudanças na rotina das famílias, dificuldade de acompanhamento do calendário, aumento da hesitação vacinal e desinformação têm impactado diretamente a adesão à imunização infantil, segundo estudos do Instituto Butantan.
A enfermeira especialista em vacinação da Clínica Vacinne, Elisa Lino, alerta para a falsa sensação de segurança que pode surgir quando os pais acreditam que iniciar a vacinação é suficiente. “Existe uma percepção equivocada de que iniciar a vacinação já é suficiente. Na prática, a proteção só é garantida quando o esquema está completo, com todas as doses e reforços indicados para cada idade”, explica.
Elisa destaca que o calendário vacinal infantil é estruturado para acompanhar o desenvolvimento do sistema imunológico da criança, e que cada dose tem um papel específico na construção da imunidade. A interrupção do esquema vacinal deixa a criança vulnerável a doenças que poderiam estar controladas.
Além do risco individual, a baixa cobertura vacinal compromete a imunidade coletiva. O Brasil ainda não retomou plenamente a meta de 95% de cobertura recomendada para diversas doenças, índice essencial para evitar a reintrodução de enfermidades já controladas.
“A vacinação não é apenas uma proteção individual. Quando muitas pessoas deixam de se vacinar, toda a comunidade fica mais exposta”, reforça a especialista.
Para garantir a proteção adequada, é fundamental que os responsáveis mantenham o acompanhamento contínuo da carteira de vacinação, com atenção especial aos reforços e vacinas previstas nos primeiros anos de vida. A vacinação é segura, acessível e permanece como uma das principais ferramentas de prevenção na medicina.



