Caso em UTI neonatal expõe desafio silencioso das infecções hospitalares
Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul esclarece riscos e reforça segurança assistencial em unidades intensivas
A recente ocorrência de infecção pela bactéria Acinetobacter baumannii em uma unidade neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre, trouxe à tona o desafio silencioso das infecções hospitalares em ambientes críticos. O caso envolveu um bebê prematuro extremo, de 26 semanas de gestação, que faleceu após testar positivo para o micro-organismo. Na ocasião, quatro dos 34 pacientes internados na UTI neonatal também apresentaram resultados positivos para a bactéria.
A Acinetobacter baumannii é um agente oportunista, classificado como pan-resistente, o que significa que não responde aos antibióticos disponíveis atualmente. Está entre os patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS) devido à dificuldade de tratamento e ao impacto em pacientes vulneráveis.
Segundo o infectologista pediátrico associado da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS), Derrick Alexandre Fassbind, a bactéria pode ser encontrada em ambientes com água e umidade, mas tende a causar infecção principalmente em pacientes com fragilidade clínica, como recém-nascidos prematuros, pessoas com imunidade reduzida e pacientes em estado crítico que dependem de dispositivos invasivos, como ventilação mecânica, sondas e cateteres. Em pacientes saudáveis, o risco de infecção é baixo.
As unidades de terapia intensiva neonatal apresentam uma combinação de fatores que tornam o cuidado ainda mais complexo. Os bebês internados geralmente nasceram prematuros ou apresentam complicações relacionadas ao nascimento, o que implica em um organismo imaturo e com menor capacidade de defesa. Além disso, esses pacientes permanecem internados por longos períodos e necessitam de manipulação constante por profissionais de saúde, com a presença da mãe no processo de cuidado e recuperação.
O presidente da SPRS, Marcelo Pavese Porto, destaca que “bebês prematuros extremos, como esse que não resistiu, apresentam um risco naturalmente maior em função da imaturidade imunológica e de todas as possíveis complicações inerentes à própria prematuridade”.
Para conter a disseminação da bactéria em unidades críticas, a prevenção depende de uma rotina técnica rigorosa e permanente. Medidas essenciais incluem a higiene das mãos, limpeza adequada de equipamentos, desinfecção de superfícies, isolamento quando necessário e monitoramento contínuo dos casos. Em situações de surto, essas ações devem ser intensificadas, pois a erradicação da bactéria do ambiente hospitalar pode ser mais difícil.
A SPRS reforça que não há indicação de risco para a população em geral fora do ambiente hospitalar. A preocupação maior está concentrada em pacientes internados, especialmente os mais vulneráveis, e no cumprimento rigoroso dos protocolos de controle de infecção.
O esclarecimento técnico é fundamental para evitar alarmismo e combater a desinformação, contribuindo para uma compreensão precisa sobre as medidas necessárias em situações como esta.



