Atualização da NR-1 evidencia lacunas no conhecimento dos líderes sobre riscos psicossociais
Apenas 27% dos gestores consideram suas empresas preparadas para as novas exigências da norma
A 8ª edição da Pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, realizada pela The School of Life Brasil em parceria com a Robert Half, revela que 35% dos líderes não possuem conhecimento básico para apoiar as empresas no cumprimento das exigências da atualização da NR-1. Dentre esses, 21% desconhecem a existência da norma, enquanto 14% conhecem a regra, mas ignoram sua atualização.
Apenas 27% dos gestores acreditam que suas organizações estão “bem” ou “totalmente” preparadas para mapear, prevenir e lidar com riscos psicossociais, conforme determina a nova NR-1.
A atualização da NR-1 representa o reconhecimento da importância da saúde mental no ambiente corporativo, elevando a psicologia a uma posição estratégica nas empresas. Segundo Diana Gabanyi, cofundadora e CEO da The School of Life Brasil, “não basta falar de saúde mental. É preciso agir com constância, intenção e responsabilidade. Planos claros, ações contínuas e uma cultura que sustente motivação e engajamento deixam de ser diferencial e se tornam compromissos.”
A NR-1 não apresenta uma lista fechada de riscos psicossociais, o que exige que as organizações reconheçam fatores que afetam a saúde mental, mesmo que não estejam catalogados. A pesquisa identificou que metas inalcançáveis, ausência de apoio e reconhecimento da liderança, sobrecarga, conflitos interpessoais, pressão excessiva por resultados, assédio moral ou sexual, exigências incompatíveis com a capacidade do profissional e ambientes inseguros são riscos reais à saúde mental e falhas de gestão.
Os dados indicam que a segurança psicológica é frágil: 39% dos líderes e 48% dos liderados afirmam que “às vezes”, “raramente” ou “nunca” sentem que podem expressar opiniões, discordar ou admitir erros sem receio de retaliações ou julgamentos. Apenas 47% dos líderes e 31% dos liderados afirmam que seu esforço é reconhecido de forma justa “frequentemente” ou “sempre”.
Conflitos interpessoais são tratados de forma adequada “frequentemente” ou “sempre” por 55% dos líderes e 41% dos liderados. Manter o equilíbrio entre demandas profissionais e vida pessoal ainda é um desafio para 45% dos líderes e 40% dos liderados, que afirmam conseguir isso “às vezes”, “raramente” ou “nunca”.
Quase metade dos profissionais opera em regime de sobrecarga intermitente ou contínua, com 31% dos líderes e 33% dos liderados dizendo que o volume de trabalho “às vezes” compromete a saúde. Prazos realistas são exceção, com 35% dos líderes e 32% dos liderados afirmando que apenas “às vezes” os prazos são compatíveis com os recursos disponíveis.
Autonomia para organizar e executar o trabalho é insuficiente para 22% dos líderes e 26% dos liderados, que relatam tê-la apenas “às vezes”. Falta clareza sobre responsabilidades, prioridades e expectativas de desempenho para 26% dos líderes e 34% dos liderados.
Mais da metade dos líderes e liderados afirmam que, quando enfrentam sobrecarga ou desafios emocionais, podem contar com seus gestores “às vezes”, “raramente” ou “nunca”. Relações respeitosas e colaborativas não são regra, com 12% dos gestores e 17% dos membros de equipes relatando que interações saudáveis acontecem “às vezes”, “raramente” ou “nunca”.
Maria Sartori, diretora da Robert Half, ressalta que “saúde mental é hoje um fator estratégico de competitividade. Empresas que normalizam sobrecarga e insegurança enfrentam queda de produtividade, aumento de turnover e dificuldade para atrair talentos. Estruturar a gestão de riscos psicossociais e fortalecer a liderança não é apenas cumprir a norma: é construir reputação, engajamento sustentável e vantagem competitiva no longo prazo.”



