Saúde mental, endividamento e custos redefinem agenda das empresas brasileiras

A saúde mental, o endividamento dos trabalhadores e o aumento dos custos assistenciais vêm provocando uma profunda reconfiguração

A saúde mental, o endividamento dos trabalhadores e o aumento dos custos assistenciais vêm provocando uma profunda reconfiguração na gestão da saúde corporativa no Brasil. Esses temas foram discutidos durante o CONARH Saúde, evento promovido pela ABRH Brasil, que reuniu executivos e especialistas para debater os desafios atuais das organizações.

Segundo Luiz Edmundo Rosa, diretor de Saúde e Bem-Estar da ABRH Brasil, “a saúde corporativa deixou de ser uma pauta operacional para se tornar risco e uma oportunidade ao negócio”. Ele destacou que 78% das famílias brasileiras estão endividadas, enquanto o ambiente de trabalho apresenta níveis elevados de estresse, ansiedade e depressão entre as lideranças.

A presidente da ABRH Brasil, Leyla Nascimento, afirmou que a saúde é hoje uma pauta prioritária para recursos humanos, que passou a incorporar longevidade, saúde mental e sustentabilidade das carreiras.

Dados apresentados por Letícia Santos, da WTW, indicam que 79% das empresas consideram a saúde o principal desafio, em um cenário de inflação médica persistente. Ela ressaltou que o aumento dos custos está relacionado não apenas aos preços, mas também ao uso ineficiente dos serviços, afirmando que “o custo da saúde vem muito mais da utilização inadequada e da falta de informação do usuário”.

O eixo da saúde mental foi central nas discussões. Dulce Brito, do Einstein, destacou a necessidade de as empresas adotarem modelos estruturados de cuidado, incluindo a saúde mental como indicador estratégico e implementando programas de escuta ativa. Ela ressaltou que o tema deve ser tratado com transparência e reconhecimento institucional.

Outro ponto relevante foi a solidão como risco corporativo. Uma especialista afirmou que “nunca estivemos tão conectados — e nunca estivemos tão sozinhos”, destacando que muitos profissionais permanecem produtivos, mas emocionalmente isolados, o que impacta o engajamento e a saúde.

O endividamento dos trabalhadores foi apontado como um fator crítico para a saúde corporativa. Adriana Mansueto, da Gerdau, afirmou que “o endividamento é um pilar de sustentação da saúde mental”, explicando que colaboradores endividados apresentam pior qualidade do sono, alimentação inadequada e queda de produtividade. Ela também mencionou que programas estruturados têm apresentado resultados expressivos, com retorno de R$ 12 para cada R$ 1 investido.

A alimentação foi destacada como variável estratégica na saúde corporativa. Frederico Porto afirmou que “não é mais possível dissociar saúde física e mental” e que “prevenção não é exame — é mudança de hábito”.

O modelo tradicional de saúde corporativa, centrado exclusivamente na assistência médica, já não atende às demandas atuais. Em seu lugar, surge uma abordagem integrada que combina saúde física, mental, financeira e social, com uso intensivo de dados e foco em prevenção. As empresas assumem um papel mais ativo na gestão da saúde dos colaboradores, redefinindo a área de recursos humanos e a sustentabilidade dos negócios no país.

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