Estudo global reforça que emoções negativas não causam câncer e alerta para mitos que geram culpa nos pacientes

NÃO INFORMADO

Um estudo global recente reforçou que emoções negativas, como estresse e tristeza, não causam câncer, desmistificando uma crença ainda muito difundida. A pesquisa, publicada na revista científica Cancer, analisou dados de 421.799 pessoas em 22 estudos diferentes, com mais de 35 mil casos de câncer identificados, e não encontrou evidências que comprovem uma relação direta entre fatores emocionais e o surgimento da doença.

O oncologista clínico e CEO do Grupo SOnHe, André Sasse, destaca que o câncer é uma doença multifatorial, relacionada principalmente a aspectos biológicos, ambientais e comportamentais. Segundo ele, “não existe evidência de que tristeza ou estresse causem câncer diretamente”. O especialista explica que, em alguns casos, pessoas que enfrentam abalos emocionais podem adotar comportamentos de risco, como tabagismo, compulsão alimentar ou sedentarismo, que por sua vez aumentam o risco da doença.

Essa associação equivocada entre emoções e câncer pode gerar um impacto negativo nos pacientes, levando à culpabilização indevida. “Essa interpretação leva à culpabilização do paciente, como se ele fosse responsável pelo próprio diagnóstico”, afirma André Sasse. Por isso, esclarecer essas informações é fundamental para evitar desinformação e promover um entendimento correto sobre a doença.

Além da relação com fatores emocionais, o estudo e especialistas alertam para outros mitos comuns. Um deles é a ideia de que o câncer é sempre hereditário, quando na verdade apenas cerca de 5% a 10% dos casos têm origem genética. A maioria está associada a fatores externos e comportamentais.

Outro equívoco é acreditar que a ausência de sintomas indica ausência da doença, já que muitos tipos de câncer se desenvolvem silenciosamente, tornando indispensáveis os exames de rotina. Também é incorreto pensar que apenas pessoas idosas desenvolvem câncer. Embora a idade seja um fator de risco, a doença pode afetar diferentes faixas etárias, especialmente quando há hábitos de vida inadequados.

Por fim, levar uma vida saudável reduz significativamente o risco, mas não elimina completamente a possibilidade de desenvolver câncer, reforçando a importância do acompanhamento médico regular.

O Grupo SOnHe reforça que a prevenção está diretamente ligada à adoção e manutenção de hábitos saudáveis. Entre as recomendações estão a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, sono de qualidade, evitar consumo excessivo de álcool e não fumar. “Grande parte dos cânceres pode ser evitada com mudanças no estilo de vida”, destaca André Sasse.

Combater a desinformação é uma estratégia essencial no enfrentamento do câncer. “Informação correta reduz medo, evita culpa e ajuda as pessoas a tomar decisões mais conscientes sobre sua saúde”, conclui o oncologista.

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