SescTV exibe documentários sobre Lina Bo Bardi e Clara Nunes em abril

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Em abril, o canal SescTV apresenta duas estreias documentais que destacam expressões da cultura brasileira: a arquitetura e a música. Os filmes “Circular: o mínimo, o pouco, o quase nada” e “Clara Estrela” serão exibidos nos dias 11 e 17 de abril, às 22h, respectivamente, ampliando o conhecimento sobre a obra da arquiteta Lina Bo Bardi e a trajetória da cantora Clara Nunes.

O documentário “Circular: o mínimo, o pouco, o quase nada” (2023, 80 minutos), dirigido por Carlos Segundo e Cristiano Barbosa, revisita a história da Igreja Espírito Santo do Cerrado, localizada em Uberlândia, Minas Gerais. Esta é a única obra de Lina Bo Bardi no estado e foi construída em um mutirão liderado por freis franciscanos e moradores locais durante o período da Ditadura Militar. A igreja é considerada uma criação singular da arquiteta, concebida com materiais simples e por meio de um processo coletivo. O filme traz depoimentos de pessoas que participaram do projeto ou conviveram com Lina Bo Bardi na época.

O artista plástico Edmar de Almeida relembra a chegada da arquiteta à cidade e os projetos artísticos que ela desenvolveu para a ornamentação do espaço. Ele também destaca que Lina se hospedou em sua propriedade, uma antiga casa rural construída por imigrantes italianos, e que se encantou com a diversidade botânica do Cerrado, tema que discutia em conversas e aulas informais.

O ambientalista Eduardo Bevilaqua observa que a construção da igreja coincidiu com a expansão econômica da região, simbolizando uma tentativa de criar um espaço comunitário em meio às transformações provocadas pelo agronegócio.

O frei franciscano Fúlvio Sábia recorda que Lina Bo Bardi aceitou imediatamente o pedido para projetar a igreja e sugeriu incorporar o termo “Cerrado” ao nome do edifício.

Os arquitetos Marcelo Ferraz e André Vainer também compartilham lembranças das viagens feitas com Lina durante a construção, que ocorreu paralelamente ao projeto do Sesc Pompeia, em São Paulo.

O documentário “Clara Estrela” (2018, 71 minutos), dirigido por Susanna Lira, reconstrói a trajetória da cantora mineira Clara Nunes a partir de entrevistas concedidas pela própria artista em programas de rádio e televisão ao longo de sua carreira. A narração é feita pela atriz Dira Paes.

O filme acompanha a vida de Clara desde a infância em Paraopeba (MG), passando pelo início da carreira em Belo Horizonte, onde trabalhava como operária têxtil e participava de concursos de rádio. Clara lembra que aprendeu cedo a cantar e a tecer, habilidades que marcaram sua juventude antes de se mudar para São Paulo, onde começou a se apresentar como crooner.

A carreira da cantora ganhou novo rumo após o encontro com Ataulfo Alves, que a incentivou a gravar samba e a consolidar um repertório ligado às matrizes afro-brasileiras. Uma viagem à África, em 1969, ampliou sua aproximação com rituais e tradições que influenciaram sua obra.

O documentário também destaca sua participação no espetáculo “Brasileiro, Profissão Esperança”, dirigido por Bibi Ferreira, e o encontro com o compositor Paulo César Pinheiro, parceiro de vida e criação.

Quatro décadas após sua morte, Clara Nunes permanece como uma das artistas que ampliaram o alcance do samba e das tradições afro-brasileiras na música popular. O filme encerra com imagens da cantora na Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, interpretando “Portela na Avenida”.

Entre arquitetura e música, os documentários exibidos pelo SescTV em abril aproximam duas histórias que revelam formas de criação nascidas do encontro entre arte, território e comunidade.

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