Série de Mariana Rosa expõe rótulos femininos e abuso psicológico em relacionamentos
Vídeos no Instagram abordam dinâmicas abusivas e mobilizam debates sobre relações afetivas
A atriz, roteirista e diretora Mariana Rosa alcançou grande repercussão nas redes sociais com uma série de vídeos intitulada “Meu nome é Mariana e eu sou…”, que aborda rótulos frequentemente atribuídos a mulheres em relacionamentos afetivos. Desde o início da série, em 1º de março, seu perfil no Instagram cresceu de cerca de 18 mil para mais de 300 mil seguidores, impulsionando relatos e debates sobre dinâmicas de abuso psicológico e desvalorização em relações.
O formato dos vídeos é simples e direto: a frase inicial apresenta personagens que assumem rótulos como “louca”, “dramática” ou “exagerada”, comuns em contextos abusivos. A partir daí, as narrativas combinam humor, ironia e desconforto para expor situações que muitas mulheres enfrentam, mas que nem sempre reconhecem como abusivas.
Mariana destaca que “pode parecer absurdo, mas muitas mulheres não sabem que estão em um relacionamento abusivo” e que a informação, especialmente quando transmitida pela arte, tem um “potencial imensurável”.
Mariana Rosa construiu sua linguagem artística a partir da própria prática, inicialmente sem reconhecer seu potencial criativo. Durante a pandemia, ela começou a escrever e publicar textos autorais no Instagram, transformando a plataforma em sua “sala de ensaio”. O formato atual da série tem origem em um vídeo de 2021, mas ganhou força recentemente ao abordar diretamente os rótulos que ainda são comuns em relações afetivas.
O impacto da série vai além do número de seguidores. Nos comentários, milhares de mulheres compartilham relatos pessoais e se reconhecem nas histórias encenadas, promovendo debates importantes sobre abuso psicológico. Para Mariana, “o mais forte não é o número de seguidores, mas a conexão” e o fato de que “não se sentir sozinha é um passo importante para quem precisa sair de uma relação violenta”.
A série também se destaca pela estética, que utiliza elementos que criam um contraste entre o absurdo e o cotidiano, reforçando o caráter ficcional das narrativas. Mariana explica que quis “trazer um elemento de estranhamento, para deixar claro que não são relatos literais, mas uma construção artística”.
Com formação e atuação no teatro, incluindo indicação ao Prêmio Cenym de 2022, Mariana Rosa agora amplia seu alcance usando as redes sociais como extensão de sua linguagem artística. Ela pretende expandir suas criações para outros formatos, como teatro e cinema, afirmando que tem “muita coisa pra falar, não só por mim, mas como porta-voz de tantas pessoas com quem estou conectada”.



