Criadores digitais rejeitam termo “influencer” e pedem reconhecimento formal no Brasil

Um estudo inédito realizado pelo centro de pesquisas Reglab, em parceria com a organização Redes Cordiais, revelou que

Um estudo inédito realizado pelo centro de pesquisas Reglab, em parceria com a organização Redes Cordiais, revelou que criadores de conteúdo digital no Brasil rejeitam o termo “influencer”, por considerá-lo associado à superficialidade. A pesquisa, intitulada Vozes da Influência, entrevistou 24 profissionais que juntos somam mais de 90 milhões de seguidores, buscando compreender a percepção desses criadores sobre os desafios éticos, econômicos e institucionais da profissão.

O mercado de criação de conteúdo digital no Brasil movimenta cerca de R$ 20 bilhões por ano, mas ainda carece de regulamentação e reconhecimento formal. Entre os principais problemas apontados pelos entrevistados estão a pressão constante por engajamento, a exposição a ambientes digitais hostis, que afetam a saúde mental, e a ausência de uma classificação oficial da profissão, como um CNAE próprio, o que gera insegurança jurídica.

Os criadores destacam que a influência é uma consequência do trabalho, e não o objetivo principal. Eles buscam estabelecer padrões éticos e maior credibilidade no conteúdo produzido, adotando práticas como checagem de informações, uso de linguagem acessível e seleção de temas de interesse público. Essa postura reforça a rejeição ao termo “influenciador”, que não representa a identidade profissional que desejam construir.

Além dos desafios pessoais e profissionais, os criadores demonstram preocupação com o cenário regulatório da profissão, incluindo questões relacionadas à tributação e aos riscos de censura. Eles reivindicam parâmetros contratuais mínimos e segurança digital para garantir a sustentabilidade da atividade a longo prazo.

Isabela Afonso Portas, pesquisadora do Reglab e uma das autoras do estudo, afirma que o trabalho traz uma “desconstrução de estigmas sobre como os criadores percebem questões como riscos reputacionais e relações com outros players do meio, como agências e plataformas”. Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab, destaca que ouvir esses profissionais é fundamental para o debate público sobre uma profissão em crescimento e com papel relevante na formação cultural e da opinião pública brasileira.

O estudo reforça que, apesar da percepção social de ascensão associada à carreira, a rotina dos criadores é marcada por desafios significativos, incluindo a pressão por resultados e a necessidade de apoio psicológico. Clara Becker, diretora executiva do Redes Cordiais, ressalta que os criadores entendem que são novos formadores de opinião e buscam reconhecimento e segurança para exercer sua atividade de forma sustentável.

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