Cresce procura por procedimentos de estética vaginal após maternidade e menopausa
Procedimentos íntimos são buscados por desconforto físico e qualidade de vida
A estética vaginal tem deixado de ser tabu, com aumento na procura por procedimentos íntimos femininos, especialmente após maternidade, menopausa e oscilações de peso. Segundo o cirurgião plástico Pedro Westphalen, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, essa busca está relacionada a queixas de desconforto físico e alterações que impactam a qualidade de vida das mulheres. Mulheres relatam incômodo ao usar roupas justas, praticar esportes ou manter relações sexuais, situações que envolvem uma anatomia delicada, vascularizada e altamente inervada. O médico ressalta que técnica e experiência são fundamentais para garantir segurança e preservar a função da região íntima. Ele destaca que a vulva não possui um padrão ideal, existindo ampla variação anatômica considerada normal. A indicação cirúrgica ocorre apenas quando há queixas consistentes, como desconforto físico, irritação recorrente, dor durante atividades físicas ou sofrimento emocional relevante. Entre os procedimentos mais demandados estão a labioplastia (ninfoplastia), que consiste na ressecção controlada do excesso de tecido dos pequenos lábios, preservando a sensibilidade; a correção dos grandes lábios, que pode envolver ressecção da flacidez ou enxerto de gordura autóloga para recomposição volumétrica; e a perineoplastia, indicada para correção de lacerações e deformidades pós-parto. Estudos internacionais indicam índices de satisfação superiores a 90% quando a indicação é adequada e as expectativas são alinhadas previamente. O cirurgião alerta para a importância de diferenciar a cirurgia íntima de procedimentos estéticos superficiais divulgados nas redes sociais, reforçando que a região é altamente sensível e que a segurança depende da técnica e da experiência do profissional. Além disso, algumas queixas podem não ser cirúrgicas, exigindo encaminhamento para especialistas em ginecologia, endocrinologia ou uroginecologia, como em casos de disfunções hormonais, incontinência urinária ou dores ginecológicas. Para Pedro Westphalen, o avanço está na mudança do discurso, tratando a saúde íntima feminina com o mesmo respeito técnico dedicado a outras áreas do corpo. Quando há desconforto real, o tratamento deixa de ser uma questão de vaidade e passa a ser cuidado.



