Flávia Iriarte estreia no romance após formar 8 mil escritores no Brasil
Fundadora da Carreira Literária lança “Instruções para desaparecer devagar” em 23 de abril
No Dia Mundial do Livro, 23 de abril, a editora e mentora Flávia Iriarte estreia como romancista com o lançamento de “Instruções para desaparecer devagar” pela editora Faria e Silva. Com mais de 15 anos de atuação no mercado editorial brasileiro, Flávia orientou mais de 8 mil escritores e publicou 320 autores por meio da Editora Oito e Meio, que fundou em 2010. Formada em Cinema pela UFF e mestre em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio, Flávia construiu sua carreira focada na formação de novos autores. Além de fundar a escola online Carreira Literária, que impacta diariamente mais de 100 mil pessoas, ela coordenou a implementação da pós-graduação em Escrita Criativa da Uniítalo/NESPE, onde também leciona.
“Instruções para desaparecer devagar” parte de uma experiência pessoal da autora durante uma viagem ao Camboja em 2016, quando se viu em uma pousada em ruínas, sem tranca na porta, temendo por sua segurança. Essa sensação de vulnerabilidade, comum a muitas mulheres, permeia o romance. A narrativa acompanha Alice, jovem branca e rica, e Bárbara, colega de classe vinda da periferia, que embarcam em uma viagem financiada pelo pai de Alice. O que começa como uma tentativa simbólica de reparação se transforma em um confronto silencioso, culminando em um episódio violento que obriga as personagens a enfrentar questões relacionadas a privilégios e desigualdades sociais.
Flávia define o livro como uma “tragédia contemporânea” que dialoga com a estrutura clássica de Aristóteles, atualizada para um mundo onde o destino é moldado pelas forças sociais do capital, gênero e privilégio, e não mais pelos deuses. A amizade entre mulheres, frequentemente romantizada, é retratada como um espaço de tensões e hierarquias, refletindo as diferenças de classe e raça. A escrita é propositalmente seca e direta, evitando encantamento excessivo para facilitar o acesso às ideias. Entre as influências citadas estão o cinema de Michael Haneke e autores como J.M. Coetzee e Elfriede Jelinek.
A autora reescreveu o desfecho para permitir que suas personagens retomem a narrativa após o episódio violento, dando-lhes voz e interpretação. Além do romance, Flávia já publicou o livro de contos “Todo homem naufraga” e prepara um novo projeto literário sobre três amigos marcados por uma tragédia comum.
Sua trajetória no mercado editorial brasileiro é marcada por uma visão crítica, destacando a concentração de poder nas mãos de poucas famílias e o crescimento das editoras independentes que ampliam a diversidade de vozes.



