Empresárias enfrentam misoginia digital para ocupar espaço na comunicação
Podcasts são ferramentas estratégicas para fortalecer a presença feminina no ambiente digital
Apesar dos avanços no empreendedorismo feminino no Brasil, as mulheres que lideram negócios e ocupam espaços de fala ainda enfrentam barreiras significativas. A comunicação dessas empresárias é marcada por desafios estruturais e pela misoginia digital, que se manifesta em deslegitimação e ataques nas redes sociais. Esse cenário dificulta a construção de uma presença sólida e autoritária na comunicação, exigindo delas não apenas domínio de conteúdo, mas também uma gestão cuidadosa da própria imagem. Além das responsabilidades do empreendedorismo, essas mulheres precisam validar constantemente suas competências diante de uma audiência que as julga por critérios diferentes dos aplicados aos homens. Essa sobrecarga torna o ambiente digital ainda mais desafiador para a afirmação feminina.
Nesse contexto, os podcasts aparecem como uma ferramenta importante para a construção de narrativas e fortalecimento da marca pessoal. O formato permite que as empresárias compartilhem suas trajetórias, posicionamentos e conhecimentos com maior autonomia e profundidade. Contudo, conduzir um podcast exige preparo para enfrentar julgamentos e ataques, comuns no ambiente digital.
Stephanie Dalmazo, comunicadora e host do podcast Café com Benefícios, destaca que “Comunicar hoje é, também, um ato de coragem. Quando uma mulher decide ocupar o espaço de fala, principalmente como host, ela não está apenas informando, ela está se posicionando”. Ela ressalta ainda a importância de entender a linha tênue entre visibilidade e exposição para manter uma presença forte sem comprometer a saúde emocional.
A prática exige estratégia, como a definição clara de posicionamento e propósito, que ajuda a filtrar críticas e fortalecer a identidade do conteúdo. Investir em media training, preparação de pautas e domínio técnico são fundamentais para transmitir segurança e autoridade, essenciais para enfrentar tentativas de descredibilização.
Dalmazo complementa que “A mulher precisa se blindar sem deixar de ser autêntica. Isso passa por estabelecer limites, saber o que compartilhar e, principalmente, entender que nem todo feedback merece ser absorvido”. Ela reforça que a comunicação é uma ferramenta de poder capaz de transformar carreiras e a forma como outras mulheres se enxergam e ocupam seus espaços.
Em um ambiente digital ainda marcado por desigualdades e dinâmicas de silenciamento, dar voz às empresárias é uma necessidade estrutural. Podcasts liderados por mulheres tornam-se, assim, não apenas canais de conteúdo, mas espaços de resistência, construção coletiva e reposicionamento de narrativas.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.


