O protagonismo feminino no esporte de endurance se transforma em liderança no mercado de trabalho
A crescente presença feminina em provas de endurance acompanha uma mudança mais ampla e estrutural no mercado: as
A crescente presença feminina em provas de endurance acompanha uma mudança mais ampla e estrutural no mercado: as mulheres estão transformando a disciplina esportiva em um ativo profissional. Segundo dados baseados no relatório global do Strava de 2024, nos últimos quatro anos, o número de participantes do sexo feminino em provas de triatlo de altíssima exigência, como o Ironman, teve um aumento de 35%. Na corrida, o salto é ainda mais impressionante, com um crescimento de 80% na quantidade de mulheres que ingressaram em grupos da modalidade em comparação a 2023.
Esse cenário, que associa a prática esportiva à busca por saúde mental e longevidade, reflete em uma mudança de mentalidade sobre performance, carreira e protagonismo. Mais do que a busca por medalhas e pódios, a alta performance no esporte tem se tornado uma vitrine estratégica para negócios, construção de marca pessoal e novas carreiras. Atletas e amadoras disciplinadas estão conseguindo converter características essenciais do esporte – como a consistência, a resiliência e a gestão de rotina – em diferenciais competitivos valiosos no mercado de trabalho.
Um dos maiores exemplos dessa transição é a influenciadora e triatleta Larissa Fabrini, campeã do Ironman. Natural de Vila Velha (ES), ela começou no esporte aos 27 anos com o simples desejo de aprender a nadar na piscina do condomínio. Hoje, após dezenas de pódios e participações em provas de altíssima exigência técnica, como o Campeonato Mundial em Kona, no Havaí, ela aplica as lições das pistas na sua atuação profissional como especialista em posicionamento e comunicação.
Para Larissa, o esporte passa a lógica totalmente competitiva. Ela construiu um método aplicado em mentorias, programas educativos e consultorias estratégicas, ajudando outras mulheres, empreendedoras e executivas a construírem uma presença sólida e autêntica no mercado. O esporte se tornou uma lente para que ela compreenda e ensine o ritmo, a disciplina e o foco necessários nos negócios e na vida.
“Quando a mulher descobre a força que tem para cruzar a linha de chegada de uma prova desafiadora, ela percebe que pode aplicar essa mesma força para liderar uma equipe, abrir uma empresa ou mudar de carreira. O esporte devolve a confiança que o mercado, muitas vezes, tenta tirar de nós”, afirma a atleta.
Apesar de incentivar essa força e resiliência, Larissa faz um alerta importante contra a produtividade tóxica e a tentativa de replicar rotinas “perfeitas” de alta exigência que circulam nas redes sociais. Ela defende que a conversão da disciplina em ativo profissional não pode significar exaustão ou culpa.
“Ninguém deveria romantizar performance, como se ser ótimo fosse sinônimo de sofrer”, pontua. Para a especialista, usar o esporte como alavanca de carreira é entender que a constância a longo prazo gera mais resultados do que picos insustentáveis de esforço.
“Acabamos, muitas vezes, confundindo disciplina com punição. A nossa rotina não pode funcionar como um peso que apenas drena a energia”, explica Larissa. “Ser disciplinada é construir uma base que organiza a mente e afasta o caos, sem gerar ansiedade ou exaustão.”
É justamente com essa nova mentalidade que as mulheres vêm cruzando as linhas de chegada não apenas nas provas de endurance, mas na liderança de seus próprios negócios e no protagonismo de suas trajetórias.



